Consagração - Pastor Clari de Mattos

ESTUDOS

Consagração

Publicado: Março, 2018

“Assim nós poderemos continuar usando todo o nosso tempo na oração e no trabalho de anunciar a palavra de Deus”(At 6.4 – NTLH); “…quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra”(At 6.4 ARA).
Consagração: Ato ou efeito de consagrar, diz o dicionário. Mas também traz o sinônimo de DEDICAÇÃO a Deus, prefiro naturalmente esta segunda conceituação.
DEFININDO O TERMO CONSAGRAÇÃO O mundo religioso de forma geral, usa por demais o termo consagração ou seus similares e como crentes em Jesus, precisamos entender que ao se referir a consagração estamos nos falando de dedicação a Cristo e sua obra.
A palavra consagrar vem do latim “consecrare”, formada por “com”, que significa “inteiramente” e “sacer”, que quer dizer “santo”. Portanto, consagrar significa “santificar inteiramente”. Os termos hebraicos usados no AT são qõdesh, que pode ser traduzido por “consagração”, “santidade” e incluem as ideias de “separação de algum uso comum ou profano” e de “separação para o serviço divino”. Pessoas e objetos eram separados para serviço divino, ou seja, eram consagradas (Êx 29.35; 28.41; Lv 7.37; 21.10; Nm 3.3; 7.11; Js 6.19).
Nessa separação há uma aceitação das coisas ou pessoas em suas funções. Assim, Arão e seus filhos usavam vestes especiais em suas funções sacerdotais, como sinal de sua aceitação e consagração (Êx 29.29,33,35). Animais também eram consagrados, conforme vemos em (Êx 29.22,31,34). Como crentes, somos convidados a consagrar as nossas vidas a Cristo espiritual (Rm 12.1,2).
A unção com azeite (Êx 30.23-33). O azeite da unção deveria ser derramado sobre a cabeça de Arão e seus filhos. O azeite é símbolo do Espírito Santo que viria habitar no crente pelo ministério intercessor de Jesus (Jo 14.16,17,26), bem como o batismo com o Espírito Santo (At 1.4,5,8). Assim também a igreja recebeu o penhor do Espírito (2Co 1.21,22), mas alguns de seus membros são individualmente separados para ministérios específicos, segundo os propósitos de Deus. “E tomarás o azeite da unção e o derramarás sobre a sua cabeça” (Êx 29.7); Arão e seus filhos são representações figuradas de CRISTO e a Igreja.
Arão foi ungido antes de o sangue ser derramado, justamente por representar a figura de Cristo, que, em virtude daquilo que era em Sua Própria Pessoa, foi ungido com o Espírito Santo muito antes do Calvário. Note-se que seus filhos só foram ungidos depois de ser espargido o sangue. Para os crentes da Nova Aliança, o sangue vertido na cruz é o fundamento de tudo. Como escreve C. H. Mackintosh,”: “Ela não podia ser ungida com o Espírito Santo até que a sua Cabeça ressuscitada tivesse subido ao céu e depositado sobre o trono da Majestade divina o relato do sacrifício que havia oferecido. “Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas. De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai e promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis” (At 2.32-33); comparem-se também Jo 7.39; At 19.1 – 6). Desde os dias de Abel que fiéis tinham tido a influência do Espírito Santo, sobre suas vidas nas quais operou e aos quais qualificou para o serviço; porém a Igreja não podia ser ungida com o Espírito Santo até que o Seu Senhor tivesse entrado vitorioso no céu e recebesse para ela a promessa do Pai.
Em Israel era questão muito séria como esse azeite era preparado e usado (Êx 30.22-23). Devia ser resguardado de qualquer profanação, e somente os sacerdotes sabiam como prepará-lo com exatidão. Era usado para propósitos e para pessoas específicas. Um homem comum não podia ser ungido com o óleo santo. As mais finas especiarias eram tão valiosas quanto o ouro. Podiam ser usadas como presentes mais seletos, sendo dados até à realeza (1Rs 10.2,10,15). A receita do óleo da unção é a mais antiga fórmula perfumista que se tem conhecimento. Os intérpretes judeus dizem-nos que as essências eram primeiramente extraídas dos materiais naqueles pesos respectivos, e, então, essas essências eram misturadas com o azeite.
Parte das responsabilidades dos sacerdotes levíticos era preservar a fórmula do óleo da unção, não permitindo que o mesmo fosse alterado ou corrompido. Sua profanação era tida como um crime, e tão grave que o indivíduo que ousasse fazer isso, seria eliminado. E esse óleo santo também não podia ser usado para fins profanos (Êx 30.32). Nenhum óleo similar a este podia ser preparado, a fim de que permanecesse sem igual, não podendo ser confundido com qualquer outra composição do perfumista – pode haver muitas imitações da unção do Espírito; há fogo estranho e óleo estranho, como o próprio Cristo ensinou: Mt 7.21 ss. Cf. 1Jo 4.1. A especiaria aromática, por terem propriedades curativas e fragrância, tornavam a substância perfumada apropriadamente típica do Espírito Santo, que santifica e unge o povo de Deus. O Espírito Santo é tipificado nesta combinação de substâncias odoríferas e óleo! Ele perfuma e cura a alma ungida; torna santo todos que o recebem; não pode ser falsificado e quem procura substituí-lo cai na condenação de DEUS; não é dado ao mundo, mas a quem é redimido pelo sangue de CRISTO; e sempre é o mesmo. Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 221-222.].
Recordando…
O sacerdócio era dividido em três grupos: o sumo sacerdote, os sacerdotes e os levitas. Todos os três descendiam de Levi. Todos os sacerdotes eram levitas, mas nem todos os levitas eram sacerdotes. A ordem dos levitas cuidava do serviço do santuário. Eles tomaram o lugar dos primogênitos que pertenciam a DEUS por direito (Êx 13.2,12,13; 22.29; 34.19,20; Lv 27.26; Nm 3.12,13,41,45; 8.14-17; 18.15; Dt 15.19). Os filhos de Arão, separados para o ofício especial de sacerdote, estavam acima dos levitas. Apenas eles podiam ministrar nos sacrifícios do altar. O nível mais elevado do sacerdócio era o sumo sacerdote. Ele representava fisicamente o cume da pureza do sacerdócio. Carregava os nomes de todas as tribos de Israel em seu peitoral para o interior do santuário, representando todo o povo perante DEUS (Êx 28.29). Apenas ele podia entrar no santo dos santos e apenas um dia no ano, para fazer expiação pelos pecados de toda a nação.
Na língua portuguesa o verbo consagrar, como verbo transitivo direto, exige complemento, então temos que perguntar: Consagrar o que e a quem?
No caso dos sacerdotes israelitas era consagração de suas vidas ao inteiro serviço de Deus “para me oficiarem como sacerdotes, disse Deus.
O sentido bíblico do termo santidade, como sabemos, tem sido mal compreendido por muitos religiosos de todos os tempos, que somente o entendem como coisa ritual, cerimonial, pomposa e ostensiva. Porém, sabemos que a verdadeira santidade bíblica é uma atitude interior, muito mais que exterior, ela provém do coração mesmo. Ver textos como os que seguem “seja, porém, o homem interior do coração, unido ao incorruptível trajo de um espírito manso e tranquilo, que é de grande valor diante de Deus”(1Pe 3.4). ou “. e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”. (1Ts 5.23). “Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus”(Rm 6.11)
Para pensar contemporaneamente, temos visto um certo glamour em torno das “consagrações” atuais de ministros nas igrejas, que muitas vezes nos preocupa. Usamos hoje, indistintamente os comprometedores termos separação, consagração e até mesmo unção de oficiais para o “serviço sagrado”(?). Estão, todos os que se dizem ungidos, oficiando na dimensão do “sagrado” mesmo, ou as coisas andam meio secularizadas?

Diferente do que aconteceu lá naquele dia em que Arão e seus filhos foram consagrados ou santificados, para só então começarem a trabalhar, hoje espera-se que quem almeja os ofícios sagrados, demonstrem isso, na prática, bem antes de receberem a imposição de mãos (1Tm 3.1-13).

Amém!

Pr. Clari Mattos
Ctba,22/03/2014


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