AS COISAS NOVAS DE DEUS! - Pastor Clari Mattos

ESTUDOS

AS COISAS NOVAS DE DEUS!

Publicado: setembro, 2017

 

“E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras” (Ap 21.5)

 

“Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas. Visto que todas essas coisas hão de ser assim desfeitas, deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade, esperando e apressando a vinda do Dia de Deus, por causa do qual os céus, incendiados, serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão. Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça” (2Pe 3.10-13).

Todas as pessoas que conhecemos, incluindo eu e você, naturalmente, de alguma forma e em muitos momentos apreciamos e até buscamos coisas novas, elas são mais bonitas, mais funcionais, etc. Na verdade, há muitos “fissurados” por coisas novas que se assemelham aos atenienses do tempo de Paulo (At 17.21). Facilmente vamos encontrar uma multidão de gente querendo saber o que está “rolando”, nas redes, não mais somente nas grandes cadeias de comunicação, mas na maior de todas as redes sociais! São verdadeiros escravos e escravas da tecnologia da informação.

Porém, encontramos alguns que não conseguem ver ou identificar nada novo, tudo se parece com uma enfadonha rotina diária que insensibiliza e mata aos poucos a vida. São dois extremos que, se deve evitar, certamente.

Lemos as declarações de Salomão em Eclesiastes 1.9,10, onde ele diz sem rodeio: “não há nada novo debaixo do sol”! Esse desabafo do sábio tem um tom de decepção com a vida e o ser humano em geral. Para essa posição radical do rei Salomão, haverá sempre alguém de nosso tempo, acostumado com tantas e tantas invenções, que procurarão “detoná-lo” com argumentos os mais contundentes, discorrendo sobre invenções de produtos e serviços os mais elaborados e criativos jamais vistos. Até mesmo farão demonstrações de tais maravilhas deste século, tanto matérias quanto virtuais em termos de aplicativos e programas de computadores.

Contudo, o contexto do capitulo primeiro do livro de Eclesiastes, aponta, não para as criativas produções humanas, que Deus já havia predito desde o princípio: “[…]Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo que intentam fazer” (Gn 11.6).

Fica bem evidente que o assunto ali é a rotina diária observado pelo autor no ciclo dinâmico da sucessão dos dias naturais e o desenrolar da mecânica do funcionamento do planeta em geral (Ec 1.4-10). É a visão perceptiva de alguém que se acha em momentos de desilusão, desencanto e diriam alguns, estado depressivo.

Mas, e o que exatamente se quer dizer com a frase “faço novas todas as coisas”?

Essa é a frase-chave da seção final do Apocalipse encontra-se em Ap 21.5. Alguns escritores sugerem que agora as eras milenais e eternas se combinam num retrato perfeito de glória infinda. A cena é, deveras, magnífica. Finalmente Cristo é o Vencedor dos séculos, e está prestes a entregar o reino ao Pai. E quão emocionante será esse ato de entrega para ambos, o Pai e o Filho! Como precisamos viver mais no futuro do que o fazemos! Com o apóstolo Paulo, aprendamos a equilibrar o sombrio “agora” com o “então” glorioso.

Há diferença de opinião entre os eruditos bíblicos no que diz respeito à nova criação (a qual não aparecerá até que a antiga desapareça), as duas básicas interpretações são: se ela será totalmente nova ou simplesmente uma reconstrução da antiga. Alguns argumentam que o fogo não simboliza aniquilação, mas purificação; que Deus meramente purificará a antiga criação, tornando-a habitação adequada para os seus santos glorificados. Outros autores dizem que a linguagem usada no Novo Testamento é definida e enfática, e que há de haver um desaparecimento total da antiga criação. Deverá “fugir”, “passará com grande estrondo”, e “será queimada”, e tudo isso implica (entende-se), não mera transformação, mas destruição. A antiga criação deve ser colocada de lado como vestes gastas, embrulhadas e totalmente descartadas.

Mas não encontram os velhos farrapos uma maneira de reaparecer como vestimentas novas? Ao dizer Deus: “Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21.5), a palavra usada para “novas” não significava nova em tempo ou de aparição recente, mas nova quanto à forma ou qualidade, diferente da antiga em natureza. Assim, o “homem novo” de Ef 4.24 quer dizer um homem totalmente diferente do primeiro, Adão. Paulo descreve um novo caráter do homem, o qual é espiritual e moral, segundo o padrão de Cristo. Assim acontecerá com o novo céu e a nova terra, que serão completamente diferentes em forma e qualidade do céu e terra originais.

Novo Céu (Ap 21.1)

“E vi um novo céu. . Já se foi o primeiro céu. . .” (21.1). Ao comparar este versículo com 20.11, descobrimos que a ordem está invertida. Da presença do grande trono branco fugiram a terra e o céu. Agora é o céu e a terra. E esta inversão é significativa. Na antiga criação, que termina em 20.11, Deus estava intimamente relacionado com a terra, sobre a qual ele tinha um templo para seu povo. Mas agora, com seu povo por templo (21.3), tudo possui natureza celestial.

“Céu” em 21.1 não significa a presença imediata de Deus, mas os céus aéreos—isto é, tudo o que se encontra entre a terra e o próprio Deus. Era do céu antigo que Satanás operava, portanto, não era limpo à vista de Deus. Um novo céu deve ser criado e tão diferente que o sol, a lua, as estrelas e as propriedades atmosféricas já não sejam necessários. Finalmente haverá um alvorecer sem o pôr do sol.

As Escrituras mencionam três céus:

  1. O terceiro céu, ou o céu real, é o lugar para o qual Paulo foi levado—a presença imediata de Deus. É a região da glória divina e também o lugar onde habitam os anjos e os santos (2 Co 12.1-5).
  2. O segundo céu,ou o céu astronômico, é o lugar do sol, da lua e das estrelas (Jó 38.31-33).
  3. O primeiro céu,ou o céu atmosférico, é o ar que nos rodeia. Temos referência a Satanás como príncipe desta região (Ef 2.2).

Uma vez que o primeiro céu (habitação de Deus), é eterno, não é, pois, sujeito a nenhuma mudança. “Um novo céu” implica a transfor­mação dos céus aéreos e astronômicos. Com nossos corpos celestiais poderemos passear pelos novos céus e pela nova terra.

É necessário um novo céu-médio porque os céus presentes estão poluídos com a presença de Satanás como príncipe das potestades do ar. É por essa razão que as estrelas não são puras à vista dê Deus (Jó 25.5). O espaço entre nós e a habitação de Deus também está cheio de mísseis, foguetes, satélites e uma miscelânea de detritos, ou lixo orbitais colocados aí pelo homem do Século vinte.

Uma Nova Terra (Ap 21.1)

“Uma nova terra. . . já se foram o primeiro céu e a primeira terra” (21:1) Verdadeiramente passará com pouco pesar. A antiga terra deve desaparecer por ter testemunhado o pecado e a violência do homem. Foi também encharcada com o sangue de milhões de mártires e manchada com o sangue do Redentor. Foi também ensopada pelo oceano de lágrimas dos santos homens e mulheres. A nova terra jamais experimentará pecado, pesar ou morticínio. Alguns eruditos sugerem que o novo céu deve ser a habitação dos santos redimidos na glória, ao passo que a nova terra deverá ser a habitação dos redimidos salvos da Tribulação, que passaram para o milênio.

Uma omissão conspícua da nova criação de Deus é a do oceano: “E o mar já não existe” (Ap 21.1). Como o coração de João deve ter sido confortado por tal revelação, pois na ilha de Patmos o apóstolo estava separado pelo mar! No céu, entretanto, nada nos separará dos nossos queridos. Todos os que pertencem ao Senhor estarão lá para sempre.

Mas não importa o ponto de vista que adotarmos, o tempo desde a primeira criação até à nova estende-se por toda a Bíblia. A primeira criação é esfera e cena das primeiras coisas. O pecado, iniciado no céu por Lúcifer, arruinou a primeira criação.

A nova criação difere por completo, como podemos ver de um estudo dos “não mais” de João. Ao descrever as glórias da nova criação, João só pôde usar uma série de negativas:

Não mais doença

Não mais dor

Não mais fome

Não mais sede

Não mais pesar

Não mais lágrimas

Não mais mar

Não mais morte

Não mais pecado

Não mais noite.

Com Satanás banido para sempre, a tentação estará ausente para sempre. Com a visão dos séculos dos séculos, chegamos a um mundo sem tragédia, tribulação ou práticas malignas. “Nos quais habita a justiça” (2 Pe 3.3). Passagens para comparação: Mt 24.35; Hb 1.1-12; 12.25-29; 2 Pe 3; Is 34.4; 65.17; 66.22. Com uma expectativa tão gloriosa assim nos aguardando, não devíamos procurar viver com os valores da eternidade em mente? As tribulações e desapontamentos presentes não se comparam com a glória que há de se revelar naquele dia eterno.

Obs. Boa parte deste estudo sobre “o novo céu e a nova terra”, é parte adaptada e/ou aumentada do livro “Apocalipse: o drama dos séculos” da editora Vida e cujo autor é H. Lockyer.

 

Amém!

 

Pr. Clari Mattos.

 


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