CONVERSÃO E DISCIPULADO (Mt 28. 18-20) - Pastor Clari Mattos

ESTUDOS

CONVERSÃO E DISCIPULADO (Mt 28. 18-20)

Publicado: outubro, 2017

É realidade comprovada que nem todos os que se dizem cristãos, são de fato, discípulos, mas todos os verdadeiros cristãos são autênticos discípulos de Cristo.
“Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém!
Na versão de almeida corrigida, aparece o verbo ensinar nos dois versículos, a diferença é que no verso 19 temos o imperativo afirmativo “ENSINAI”, e no versículo 20 a forma nominal gerúndio “ENSINANDO”
Obs. O gerúndio é uma FORMA NOMINAL do verbo, ou seja, uma forma verbal que não possui flexão de tempo e modo, perdendo algumas características de verbo e ganhando algumas características de nome (substantivo, adjetivo ou advérbio), daí o nome de forma “nominal”. A principal característica do gerúndio é que ele indica uma ação contínua, que está, esteve ou estará em andamento, ou seja, um processo verbal não finalizado.
“Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (ARA).
Comecemos pela declaração do Senhor: “É-me dado todo poder (autoridade), no céu e na terra”, Ele queria dizer que não há ninguém ou coisa alguma em condição de limitar sua liberdade de ação !!! * Ler Is 43.3 e também At 16.6. “Autoridade” é exousia e significa “liberdade de ação”. Quanto mais autoridade tem alguém, menor a possibilidade de que outros possam limitar sua liberdade de ação. (Guia do leitor da bíblia – CPAD pg 610). É importantíssimo não esquecer que esta afirmação está associada ao comando de que devemos “IR”, e fazer discípulos de todas as nações!!
“Ide, *portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (v 19).
A gramática diz sobre*Portanto: conjunção Introduz uma oração coordenada que contém a conclusão de um raciocínio ou exposição de motivos anterior; logo, por conseguinte, consequentemente, por isso, assim sendo, desse modo, pois.
O tipo de evangelismo proposto nesta comissão não termina com a conversão do pecador, ela deve prosseguir indefinidamente com o discipulado efetivo e pleno em seu conteúdo programático. Não podemos substituir a conversão ou regeneração pela educação, instrução ou ensino, são coisas diferentes. A conversão é um ato e marca o início do processo de ensino bíblico-espiritual do crente, é por ela que o novo crente se matricula na escola de discípulos de Cristo.
No trecho acima, das Escrituras vemos claramente a preocupação do Senhor em nos orientar sobre primeiro trabalhar para “fazer discípulos’, como aparece na versão ARA, antes mesmo de batizá-los e ato contínuo, ensinar todas as coisas referentes à vida cristã, ou seja, as doutrinas de nossa fé (At 2026,27;1 Tm 2.3,4).               A chamada grande comissão tal como a temos em Mt 28.18-20, vai além de evangelismo; fazer prosélitos e deixá-los para cuidarem de si mesmos não é o bastante e será certamente ineficaz e perigoso. Novos conversos devem ser ensinados a obedecer aos mandamentos de Cristo tal como delineados em todo o NT. Ver a preocupação de Paulo com os crentes em At 20.27 “porque jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de Deus”. A essência do discipulado é tornar o discípulo parecido com seu Mestre, ver Ef 4.11-16, e isso somente será alcançado através do ensino sistemático da Palavra, bem como da submissão à mesma.
Digno de lembrança é o fato de que o conteúdo programático instrucional da igreja precisa incluir os ensinamentos Morais e éticos do Senhor Jesus, por exemplo os de Mt capítulos 5 a 7, além de todos os demais ensinamentos que formam o corpo de doutrinas que Ele nos deixou. É certo que a expressão “todas as coisas que vos tenho ordenado” se refere ao que Cristo ensinou, encontrados tanto neste evangelho como nos demais documentos que a igreja primitiva tinha à sua disposição, e que continham os ensinamentos particulares de Jesus. Podemos aplicar o princípio de Rm 15.4 a todo o corpo de ensinos do NT também. Hoje, se queremos saber em que Jesus cria e o que ensinou (At 1.1), teremos que examinar os evangelhos. Sem dúvida é importante sabermos o que Ele ensinou e no que cria, e é obrigatório aos crentes compartilharem de seus pontos de vista baseando suas vidas sobre as implicações desses conteúdos.
Jesus ordenou que ensinássemos a outros aquilo que Ele nos ensinou e isso implica que precisamos ter esse conhecimento, pois ninguém pode dar o que não tem, ou ensinar o que não sabe!
“Compartilhem o que vocês têm com os santos em suas necessidades (Rm 12.13).
“Os que nada têm, nada podem compartilhar”.
Ensinar é um termo que reflete o lado ético e racional do evangelho, pois a vida no Reino não consiste de mera emoção, mas também de compreensão na justiça. Contudo vai além do racional, é, igualmente, vida e alegria, como disseram os anjos no anúncio do Natal em Lc 2.10. A forma gerundial do verbo ensinar, o “ensinando”, implica que isso deve ser um processo contínuo, e não algo feito apenas como preparação para o batismo em águas, e sim uma apresentação planejada, organizada e sistemática da verdade, conforme a temos recebido de Cristo. A palavra “sistemática” se refere a algo que colocamos em um sistema.
Ensino sistemático é, a divisão da Teologia em sistemas que explicam suas várias áreas. Por exemplo, muitos livros da Bíblia dão informações sobre o Espírito Santo. Nenhum livro sozinho dá todas as informações sobre o Espírito de Deus. O ensino Sistemático coleta todas as informações sobre o tema em todos os livros da Bíblia e as organiza em um sistema ou categoria que chamamos de Pneumatologia. Isto é conhecido como Teologia Sistemática, que pode ser definida como a organização de ensinamentos da Bíblia em sistemas ou categorias.
O ensinamento para o dsicípulo não tem meramente como alvo a aquisição de conhecimentos, mas também e primordialmente, visa o treinamento em sua conduta, vemos isso na preocupação de Paulo com Timóteo em 1 Tm 3.14,15, ao dizer: “Mas, se eu demorar, esta carta vai lhe dizer como devemos agir na família de Deus, que é a Igreja do Deus vivo, a qual é a coluna e o alicerce da verdade”. Aprendemos como devemos agir, cremos naquilo em que poderemos nos tornar e ser transformados (Sl 73.24; 119.105; Rm 12. 2; Pv 1.1-3).
Por conta disso, podemos facilmente aceitar que o alvo da instrução cristã não é meramente o de corrigir opiniões ou a ortodoxia (rigoroso, rígido), teoricamente, mas sim reparar e desenvolver a vida cristã na prática (2 Tm 3.16).

Pr. Clari Mattos. Ctba, 20/11/15


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