DÍZIMOS E OFERTAS - Pastor Clari Mattos

ESTUDOS

DÍZIMOS E OFERTAS

Publicado: abril, 2017

Temos que admitir que o fato do questionamento de muitos quanto à prática do dízimo na Igreja, representa um clamor bem popular, hoje, por conta dos grandes escândalos financeiros expostos na mídia presentes nas Igrejas Neopentecostais.
No entanto, precisamos realmente, esclarecer o assunto do dizimo de forma bíblica e equilibrada para não deixar nenhuma brecha para os inimigos do Evangelho.
Quanto à acusação de que o dizimo foi o meio que os pastores arranjaram de arrecadar dinheiro, não é nem justa nem totalmente correta, é claro. Visto que ai está-se generalizando, o que não é verdade, pois temos muitos pastores honestos, espirituais e tementes, na presidência de igrejas e ministérios.
No meu entendimento o dízimo é a forma mais justa, por representar proporcionalidade sobre os ganhos, e uma prática necessária para que os administradores tenham uma renda linear, entradas razoáveis com as quais trabalhar na administração das despesas da Igreja neste tempo moderno e também investir em missões e assistência social, essa pelo menos, devia ser a tônica da aplicação desses sagrados recursos advindos dos fiéis.
A velha acusação de que o dízimo era um “jugo” do Antigo Testamento, também é injusta porque nem mesmo lá era considerado um jugo e se assim admitirmos estaríamos acusando ao próprio Deus de déspota por cobrar de seu povo essa contribuição, mas como sabemos Ele tinha pleno direito de fazê-lo, afinal a terra toda pertence a Ele (Sl 24.1). E quando vemos o propósito para o qual os dízimos eram recebidos, ficamos mais convencidos ainda de que foi uma maneira sábia de cuidar da manutenção e dinâmica do culto e até mesmo da assistência aos pobres e despossuídos ou desamparados financeiramente, como por exemplo, os levitas em geral, sacerdotes em particular e  menciona-se também os órfãos e as viúvas entre os beneficiários(Nm 18.21,24;Dt 26.12;Ne 13.5 e a famosa passagem de Ml 3.10 que fala de “mantimento na casa do Senhor”.
Quero também dizer que a prática do dízimo não deve ser considerada no Novo Testamento, como “Mandamento”, como se fora uma norma fixa, um imperativo ou uma ordem. Nesse sentido muitos tem razão, há diferença sim, entre o tema no Antigo e no Novo Testamento, enquanto lá era Obrigação,que não cumprida  gerava até mesmo maldição,pois os que não cumprissem essa prescrição eram considerados ladrões(Ml 3.8,9),na dispensação da Graça,não é uma obrigação,e sim uma voluntariedade. “Na Dispensação da Graça, o sistema de arrecadação de dízimos nas igrejas cristãs não é ato obrigatório. A oferta e o dízimo entre os cristãos são efetuadas em arrecadações realizadas em caráter voluntário, a prática é como uma ação de amor ao próximo, também como ato de fé e atitude devocional ao Senhor. É evidente que quase nenhum pastor de Igreja divulga isso,pois seria trágico  para suas receitas,o que vemos até mesmo em nossa querida e sempre equilibrada Igreja é,pelo contrário um esforço em provar que é uma obrigação ou então uma omissão completa do assunto por parte de alguns pastores.
Textos no Novo Testamento não afirmam que o dízimo é uma prática obrigatória para a dispensação da Graça e nem que não o é. Se nada proíbe ao cristão ser um dizimista, qual a autoridade dos antidizimistas para proibir?
A base bíblica para o dízimo entre cristãos
Vale lembrar que a regra da hermenêutica manda que uma doutrina se sustente em no mínimo três textos bíblicos. Apresento Gênesis 14, Gênesis 28, Salmo 110.4, Hebreus 5, e Hebreus 7. Esses textos são os alicerces da doutrina do dízimo cristão, e todos  estão fora da parte da Lei de Moisés, então como ousam dizer que entregar o dízimo é estar debaixo da lei?
Reflexão: Melquisedeque era sacerdote de uma linhagem sacerdotal sem princípio e nem fim. O Salmo 110.4 é citado pelo escritor de Hebreus, capítulo 7, e nesta citação ele mostra que Jesus Cristo é sacerdote pertencente à mesma ordem sacerdotal. Se Cristo é da linhagem sacerdotal de Melquisequede, sacerdócio que recebia dízimos, qual o motivo de Jesus não poder receber também? Porque Melquisedeque sim e Jesus não? Por que essa diferença de tratamento? Enquanto não houver resposta com base bíblica para essa pergunta, tudo o que é dito está apenas no campo das ideias humanas, não deve ser considerado Palavra de Deus.
Sei que o assunto é muito controverso e de difícil entendimento, especialmente por quem já está decido a não contribuir para o andamento da obra, duvido que aqueles que são contra a prática do dízimo,sejam ofertantes assíduos com valores pelo menos próximos um do outro,e isso inviabilizaria qualquer séria administração dos bens materiais na dimensão presente do Reino de Deus,não concorda ?
Para melhor entendimento segue anexo um estudo encontrado na Bíblia de Estudo Pentecostal com base em Ml 3.10.
“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós uma bênção tal,que dela vos advenha a maior abastança.”
DEFINIÇÃO DE DÍZIMOS E OFERTAS. A palavra hebraica para “dízimo”
(ma’aser) significa literalmente “a décima parte”.
(1) Na Lei de Deus, os israelitas tinham a obrigação de entregar a décima parte das crias dos animais domésticos, dos produtos da terra e de outras rendas como reconhecimento e gratidão pelas bênçãos divinas (ver Lv 27.30-32; Nm 18.21,26; Dt 14.22-29; ver Lv 27.30 nota). O dízimo era usado primariamente para cobrir as despesas do culto e o sustento dos sacerdotes. Deus considerava o seu povo responsável pelo manejo dos recursos que Ele lhes dera na terra prometida (Mt 25.15 nota; Lc 19.13).
(2) No âmago do dízimo, achava-se a ideia de que Deus é o dono de tudo (Êx 19.5;Sl 24.1; 50.10-12; Ag 2.8). Os seres humanos foram criados por Ele, e a Ele devem o fôlego de vida (Gn 1.26,27; At 17.28). Sendo assim, ninguém possui nada que não haja recebido originalmente do Senhor (Jó 1.21; Jo 3.27; 1Co 4.7). Nas leis sobre o dízimo, Deus estava simplesmente ordenando que os seus lhe devolvessem parte daquilo que Ele já lhes tinha dado.
(3) Além dos dízimos, os israelitas eram instruídos a trazer numerosas oferendas ao Senhor, principalmente na forma de sacrifícios. Levítico descreve várias oferendas rituais: o holocausto (Lv 1; 6.8-13), a oferta de manjares (Lv 2; 6.14-23), a oferta pacífica (Lv 3; 7.11-21), a oferta pelo pecado (Lv 4.1—5.13; 6.24-30), e a oferta pela culpa (Lv 5.14—6.7; 7.1-10).
(4) Além das ofertas prescritas, os israelitas podiam apresentar outras ofertas voluntárias ao Senhor. Algumas destas eram repetidas em tempos determinados (ver Lv 22.18-23; Nm 15.3; Dt 12.6,17), ao passo que outras eram ocasionais. Quando, por exemplo, os israelitas empreenderam a construção do Tabernáculo no monte Sinai, trouxeram liberalmente suas oferendas para a fabricação da tenda e de seus móveis (ver Êx 35.20-29). Ficaram tão entusiasmados com o empreendimento, que Moisés teve de ordenar-lhes que cessassem as oferendas (Êx 36.3-7). Nos tempos de Joás, o sumo sacerdote Joiada fez um cofre para os israelitas lançarem as ofertas voluntárias a fim de custear os consertos do templo, e todos contribuíram com generosidade (2Rs 12.9,10). Semelhantemente, nos tempos de Ezequias, o povo contribuiu generosamente às obras da reconstrução do templo (2Cr 31.5-19).
(5) Houve ocasiões na história do AT em que o povo de Deus reteve egoisticamente o dinheiro, não repassando os dízimos e ofertas regulares ao Senhor.
Durante a reconstrução do segundo templo, os judeus pareciam mais interessados na construção de suas propriedades, por causa dos lucros imediatos que lhes trariam, do que nos reparos da Casa de Deus que se achava em ruínas. Por causa disto, alertou-lhes Ageu, muitos deles estavam sofrendo reveses financeiros (Ag 1.3-6). Coisa semelhante acontecia nos tempos do profeta Malaquias e, mais uma vez, Deus castigou seu povo por se recusar a trazer-lhe o dízimo (Ml 3.9-12).
PARA NOSSO TEMPO CONSIDERAR:
A ADMINISTRAÇÃO DO NOSSO DINHEIRO.
Os exemplos dos dízimos e ofertas no AT contêm princípios importantes a respeito da mordomia do dinheiro, que são válidos para os crentes do NT.
(1) Devemos lembrar-nos que tudo quanto possuímos pertence a Deus, de modo que aquilo que temos não é nosso: é algo que nos confiou aos cuidados. Não temos nenhum domínio sobre as nossas posses.
(2) Devemos decidir, pois, de todo o coração, servir a Deus, e não ao dinheiro (Mt 6.19-24; 2Co 8.5). A Bíblia deixa claro que a cobiça é uma forma de idolatria (Cl 3.5).
(3) Nossas contribuições devem ser para a promoção do reino de Deus, especialmente para a obra da igreja local e a disseminação do evangelho pelo mundo (1Co 9.4-14; Fp 4.15-18; 1Tm 5.17,18), para ajudar aos necessitados (Pv 19.17; Gl 2.10; 2Co 8.14; 9.2), para acumular tesouros no céu (Mt 6.20; Lc 6.32-35) e para aprender a temer ao Senhor (Dt 14.22,23).
(4) Nossas contribuições devem ser proporcionais à nossa renda. No AT, o dízimo era calculado em uma décima parte. Dar menos que isto era desobediência a Deus. Aliás equivalia a roubá-lo (Ml 3.8-10). Semelhantemente, o NT requer que as nossas contribuições sejam proporcionais àquilo que Deus nos tem dado (1Co 16.2; 2Co 8.3,12;2Co 8.2).
(5) Nossas contribuições devem ser voluntárias e generosas, pois assim é ensinado tanto no AT (ver Êx 25.1,2; 2Cr 24.8-11) quanto no NT (ver 2Co 8.1-5,11,12).
Não devemos hesitar em contribuir de modo sacrificial (2Co 8:3), pois foi com tal espírito que o Senhor Jesus entregou-se por nós (ver 2Co 8.9 nota). Para Deus, o sacrifício envolvido é muito mais importante do que o valor monetário da dádiva (ver Lc 21.1-4).
(6) Nossas contribuições devem ser dadas com alegria (2Co 9.7). Tanto o exemplo dos israelitas no AT (Êx 35.21-29; 2Cr 24.10) quanto o dos cristãos macedônios do NT (2Co 8.1-5) servem-nos de modelos.
(7) Deus tem prometido recompensar-nos de conformidade com o que lhe temos dado (ver Dt 15.4; Ml 3.10-12; Mt 19.21; 1Tm 6.19; ver 2Co 9.6).

Base principal BEP

Na paz de Cristo,
Curitiba, 16/07/2012


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