A FAMÍLIA E SUA NATUREZA. - Pastor Clari Mattos

ESTUDOS

A FAMÍLIA E SUA NATUREZA.

Publicado: setembro, 2017

“Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra” (Gn 1.27, 28).

Esta meditação não é sobre coisas efêmeras ou passageiras, nem sobre algo descartável que se pode facilmente substituir. Também não falo sobre um bem negociável, que se pode penhorar num mercado comercial qualquer. Não, o que queremos referir é o bem mais precioso que se pode ter debaixo do sol, nesta vida natural, falo da família.

Mesmo que você não tenha tido a oportunidade de escolha, pois já existia quando você nasceu, ela representa o que de mais essencial possa existir para a vida em seus primeiros suspiros, visto que não terias sobrevivido em seus primeiros momentos sem o amparo e aconchego da família em um lar por mais humilde e básico que fosse. Por um desígnio divino que desconhecemos completamente, viemos a existir no ceio de nossa família e não na do príncipe William, por exemplo.

Tomemos como exemplo basilar a primeira família humana, ela não nasceu por mero acaso, nem mesmo foi projetada pela sabedoria humana, mas sim arquitetada e efetivada pelo eterno e sábio Deus conforme exarado nas Escrituras (Gn 1.26-28; 2.18-24).

SOBRE A NATUREZA DA FAMÍLIA HUMANA.

Falar da natureza de algo ou de alguém é descobrir de que ela é feita, constituída ou composta e uma das maneiras de descobrir isso é examinando-se a sua função, finalidade ou para que existe. Quando estudamos a família, tendo a bíblia como fonte somente, poderemos facilmente ver que esta preciosa instituição humana básica, ao ser criada, tinha algumas finalidades definidas pelo criador, em sua origem que podem ser vistas no clássico texto acima sobre o assunto.

A FAMÍLIA É DE NATUEZA EXPANSIVA “ENCHEI A TERRA”, disse Deus!

Na designação: “enchei a terra”, está implícita a procriação, o milagre da reprodução natural da espécie e a consequente ocupação territorial. Ao criar a mulher, o Senhor indica também uma outra faceta da natureza da família, o ser humano é GREGÁRIO. Encontramos escrito em Gn 2.18 que “não é bom que o homem via sozinho”, Deus estava como que se antecipando a uma possível vida solitária, estéril de Adão e faz-lhe uma companheira idônea, que lhe fosse um complemento afetivo (Gn 2.21).

A necessidade de viver em sociedade, em comunhão, tem sido explorada por diversas áreas do saber humano tais como antropologia, sociologia, psicologia, filosofia, etc. O desenvolver das civilizações só veio comprovar essa carência humana, pois está provado que todo ser humano sadio deseja se relacionar com seus semelhantes de uma forma ou de outra, real ou virtualmente. Todo sistema de inter-relacionamento dos seres, se desdobrou em múltiplos tipos e formas para isso.  A grande rede relacional a que um membro da família humana se insere, hoje, ao nascer e crescer veio sendo costurada desde que o primeiro casal se relacionou e gerou filhos, os quais expandiram sua presença nas áreas cada vez mais longe da origem. O ser criado à imagem e semelhança de Deus, foi estabelecendo conexões as mais sofisticadas e se faz sentir, hoje, praticamente em todos os recantos da terra. Naturalmente, nem todas essas redes de expansão territorial foram ou são saudáveis ou produtivas, algumas dessas ações são poluidoras e destruidoras levadas a efeito por gente sem escrúpulos ((Pv 29.2,16).

Quando Deus disse: “enchei a terra”, certamente queria dizer algo como tomem conta de tudo, cuidem! Essa proposição, aliás está explícita na cláusula seguinte onde lemos: “sujeitai a terra, dominais sobre os peixes, aves e animais terrestres” (Gn 1.28).

Temos nesse trecho aquilo que alguns autores chamam de a primeira comissão dada por Deus ao homem como seu legítimo representante no planeta. Também é designada pelos reformados de “mandato cultural”, como segue: “O mandato cultural envolve a vice-gerência do homem sobre o cosmos. Era para o homem desenvolver e manter tudo aquilo que havia sido criado por Deus. Através deste mandato, Deus colocou a humanidade em um relacionamento singular com a criação, para dominar e sujeitar (Gn 1.28), guardar e cultivar (Gn 2.17) ”.

Como família deviam espalhar-se por toda a terra e dominar sobre as criaturas que povoam o mar, o ar e a terra, essa sequência do domínio humano, levando-se em consideração a visão macro, cumpriu-se mesmo na história do desenvolvimento das civilizações. Vemos primeiramente um domínio do homem sobre o mar, com as grandes expedições das descobertas via mares desde muito cedo, depois foi a vez de focar no domínio dos ares, o domínio do espaço sideral, a começar pelo primeiro voo do 14BIS em 1906 por Alberto Santos Dumont. E qual tem sido a maior preocupação, hoje? Por ventura não é com a terra? O que mais se ouve são as questões sobre a ECOLOGIA!

Ecologia é uma palavra de origem grega formada de “eco” (oikos), que significa casa e “logos” que quer dizer “saber”, “estudar”. Trata-se, portanto, de estudo do local onde vivemos, ou seja, é a ciência que estuda os seres vivos em “suas casas”, no meio em que vivem. Https://educacao.uol.com.br/disciplinas/ciencias/ecologia.

Eis aí, resumidamente, a função e propósitos originais de Deus com a família que podem ser resumidos da seguinte e simples maneira: sermos os representantes legais de Deus aqui, cuidar da criação e servir, assim a Deus. Nada foi dito sobre exploração descontrolada, exaurindo recursos muito menos poluindo o meio ambiente. O encher a terra, com certeza deveria ser algo como ocupar ordenadamente o solo de forma inteligente e não produzindo grandes concentrações em detrimento de áreas totalmente desabitada, etc.

Amém!

Pr. Clari Mattos.


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