A ORDEM É SER SANTO! - Pastor Clari de Mattos

ESTUDOS

A ORDEM É SER SANTO!

Publicado: julho, 2018

“Pelo contrário, assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, porque está escrito: Sejam santos, porque eu sou santo” (1Pe 1.15,16).
A frase imperativa afirmativa “sejam santos”, nestes versículos, Pedro a reproduz das várias vezes em que a mesma aparece no livro de Levítico, por exemplo em 19.2, onde a ordem foi dirigida não somente a um grupo, nem somente aos sacerdotes, mas toda a nação. Por dedução, concluímos que as exigências acima, proferidas pelo apóstolo se direciona a todos aqueles que são parte do atual povo de Deus na terra – sua igreja.
O problema de hoje, no entanto reside no fato da confusão e falta de uma definição precisa sobre o que é ou como se manifesta a autêntica santidade. Se na antiga aliança, bastava não ir a locais onde se prestavam cultos pagãos a divindades diversas, não adulterar e obedecer aos preceitos do Senhor de uma foram ostensivas, na nova aliança a ênfase começa pelo coração ou pensamento (Cl 3.1,2; Fl 4.8). Naturalmente que também vai influenciar o “cá por fora” também (2Co 7.1).
Conceitos vários, já foram formulados para se compreender efetivamente o que significa ser santo. Uma das questões que se impõem é: Quais áreas da vida do crente deverá afetar a santidade do salvo?
Num tempo em que viver igual às pessoas do mundo, ou seja, no mesmo espírito ou estilo deles, é motivo de orgulho para alguns crentes. Esse tipo comportamental faz com que alguns textos das Escrituras, como 1 Jo 2.15,16; Rm 12.1,2, simplesmente não façam nenhum sentido, ou sejam completamente mutilados em sua interpretação!
Afinal, o “mundo”, do qual fala a bíblia, que até algum tempo atrás era claramente identificável, se amoldou, globalizou e se infiltrou sorrateiramente em muitas vidas de uma tal forma que, é praticamente impossível detectar sua maléfica influencia. O crente assiste os mesmos filmes que os incrédulos, no cinema, na televisão ou na internet, o mesmo estilo de novelas, ouve os mesmos estilos de músicas, frequenta os mesmos ambientes e, portanto, recebe os mesmos estímulos que os incrédulos e certamente sente as mesmas emoções que eles. Partindo do princípio bíblico de que é do coração que procedem as ações da vida, devíamos cuidar muito mais desse compartimento, que a bíblia aponta como o centro daquilo que nos define como pessoas (Mt 15.18,19; Pv 4.23).
Como ter uma linguagem santa (Ef 4.29), morando no meio de um povo de impuros lábios (Is 6. 5)? O que ouvimos e o interesse com que o fazemos, forma o que pensamos e determina o que fazemos, daí a importância de filtrar ou examinar tudo e ficar somente com o que é útil (1Ts 5.21; 1Jo 4.1). A nossa linguagem está diretamente conectada ao que ouvimos e disso depende.
Como trilhar pelo caminho santo (Is 35.8), vivendo em meio a tantas opções de caminhos pervertidos propostos por ícones que apresentam desvios de conduta, os quais agora já passam por normal e são motivo até de elogios, numa clara afronta aos princípios da moralidade? Bom, o crente já está alertado de que muitos desses caminhos, por mais atraentes e prazerosos que possam parecer, finalmente darão em morte (Pv 16.25).
Mas, nem tudo está perdido, pois ainda temos a Palavra de Deus que é a verdadeira formadora de um caráter santo (Jo 15.3; 17.17), a única fonte confiável para geração de fé (Rm 10.17). E, mais uma propriedade maravilhosa da Palavra de Deus é seu potencial nutritivo para a vida dos que nela creem (Mt 4.4; 1Tm 4.6).
Quanto ao entendimento sobre santificação, vamos encontrar o conceito religioso que diz que somente é (ou será) santo, quem já morreu, mas que em vida realizou algum milagre e daí a noção mística, seletiva e de uma quase incapacidade de se atingir tal beatitude eternal.
Outra conceituação aceita por alguns quanto à santidade do salvo, diz que santidade é perfeição moral. Bem, como sabemos, neste estágio da vida é impossível alcançarmos tal perfeição. Isto faz com que muitos desanimem da luta por uma vida de separação do mundo, julgando-se incapaz de viverem como santos.
Há, ainda alguns que entendem e ensinam uma espécie de imunidade celestial para quem já se converteu a Cristo e então dizem que os tais não pecam mais e, portanto, são santos! Para tal posicionamento geralmente citam o texto de 1Jo 3.6 e 9, na versão Almeida Fiel, que resumidamente proclama: “quem permanece nele não peca”. Contudo a maioria das traduções e versões da bíblia em português traduzem o referido texto como uma expressão que propõem a ideia de que “quem está em Cristo não vive na prática do pecado”, ou seja, não peca habitualmente, se ou quando pecar será um acidente, uma exceção e não a regra.
Mas, afinal o que significa vive em santidade?
É viver separado do pecado que é pratica no mundo. Essa é uma decisão pessoal, que envolve tanto o racional como o emocional da gente e constitui igualmente o desejo do pai celestial para seus filhos (1Ts 4.3).
Lembremos que o sentido de santificação no antigo testamento era separação de Israel das práticas religiosas pagãs de nações vizinhas que eram sempre eivadas de ritos imorais e também cruéis em alguns casos (1Rs 15.12; 22.47; Lv 18.21; 20.2-5). Portanto consistia de uma ação de afastarem-se desse ambiente que como pode ser facilmente constatado, era promíscuo e imoral bem como cruel. A sensualidade estava presente na menção à “prostituição cultual’ (2Rs 23.7), etc.; E a insanidade do sacrifício de crianças a um abominável ídolo chamado Moloque foi decididamente proibido por Deus a seu povo (Lv 20.2-5).
No novo testamento também temos para a palavra santificação, a ideia básica de separação do salvo em relação ao mundo e ao pecado.
– Lemos sobre “adoração em santidade” (Lc 1.75);
– A santificação não somente se aplica ao corpo, se não também ao espírito (2Co 7.1), neste texto aparece também o aspecto progressivo da santidade na expressão “aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus”.
– Em 1Ts 3.13 vemos que o coração deve estar confirmado em “irrepreensível santidade”. Certamente isto fala de um nível de vida separada do mundo e ao mesmo tempo dedicada a Deus.
“Assim também vocês se considerem mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus” (Rm 6.11).
Aqui temos os dois aspectos da santificação, o morrer para o pecado, mas viver para Deus!
Amém!
Pr. Clari Mattos.


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