OS ARTISTAS e OS ARTEIROS. - Pastor Clari Mattos

ESTUDOS

OS ARTISTAS e OS ARTEIROS.

Publicado: outubro, 2017

“ E o Senhor disse: Eis que o povo é um, e todos têm a mesma linguagem. Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo que intentam fazer” (Gn 11.6).

Diante de tanta polêmica sobre o que é e o que não arte, me atrevi a dar meu pitaco, também!

Bom comecemos pela definição dos dicionários que diz que arte é um substantivo feminino e traz os seguintes sentidos:

  1. habilidade ou disposição dirigida para a execução de uma finalidade prática ou teórica, realizada de forma consciente, controlada e racional.
  2. conjunto de meios e procedimentos através dos quais é possível a obtenção de finalidades práticas ou a produção de objetos; técnica.

Os homens enquanto criaturas racionais e inteligentes, feitos à imagem e semelhança de Deus temos uma capacidade criativa que tem se mostrado quase ilimitada, tal como a expressão do próprio Deus no texto acima, “agora não haverá restrição para tudo que intentam fazer”. Quando o Senhor disse “ crescei e multiplicai”, não era simplesmente uma questão de procriação, este princípio pode ser aplicado também às grandes descobertas tanto intelectuais quanto práticas, que tanto bem tem proporcionado ao viver humano nestes milênios, capacidade esta que, certamente não está esgotado. Naturalmente também, temos que lembrar que esta tremenda habilidade criativa, tem sido usada para o mal, não há dúvida.

Do profeta Daniel lá no século VI a.C temos o vaticínio de que o saber, ou seja, a ciência, entendimento ou conhecimento se multiplicaria (Dn 12.4). Embora este texto aponte para o período do fim, lá na grande tribulação e fale especificamente ao povo de Daniel, o judeu, é perfeitamente admissível que o princípio de avanço científico se tem torado real na história do desenvolvimento humano em todos os tempos.

Uma das primeiras menções da bíblia sobre arte encontramos em Gn 40.17 e se refere à panificação. Não faço a menor ideia do de como eram fabricados os pães ou bolos reais nos tempos do antigo Egito, mas já havia alguém se destacando como padeiro ou confeiteiro na corte de Faraó.

Então, fazer pães e bolos era e é uma arte!

Em outras passagens das Escrituras se faz referência à “arte de perfumista”, relacionado ao fabrico do óleo sagrado, especial e de uso exclusivo para a unção dos sacerdotes e do tabernáculo (Êx 30.25,35). Nestes versículos encontramos informações sobre a arte de produzir tanto o óleo como também o incenso usado ritualisticamente no tabernáculo. A arte dos perfumistas também era requisitada nos momentos de honrar as celebridades ou autoridades, nos serviços fúnebres (2Cr 16.14).

Fabricar perfumes, em suas mais diversas composições era e ainda é considerado uma arte!

Há pelo menos uma passagem em que a música também é associada ou classificada como arte: “Entoai-lhe novo cântico, tangei com arte e com júbilo” (Sl 33.3). O referido verso faz menção de música tanto cantada quanto tocada e nesse último aspecto que aparece a arte. Em algumas versões foi traduzido arte como habilidade na execução instrumental.

Talvez a mais famosa e importante passagem sobre arte do antigo testamento seja a que mostra o próprio Deus designando e capacitando um homem chamado Bezalel para ser desenhista, escultor, lapidário de pedras preciosas, entalhador de madeira e todo tipo de artesanato (Êx 31.1-5). Este moço mais um companheiro chamado Aoliabe foi dado por Deus habilidade não só de fazer como também ensinar a arte a outros (Êx 35.34). Estes capacitaram uma equipe de trabalho qualificado para a execução de todo o projeto de construção e manutenção do tabernáculo (Êx 31.6-11).

A multiplicidade desse trabalho está minuciosamente descrita nas páginas do livro do Êxodo, indo das cortinas lindamente bordadas ao trabalhado altar de bronze, passando pelas peças do mobiliário interno feita de madeira e revestida de ouro em grande parte.            Lembremo-nos de que esse povo acaba de sair de um regime de escravidão, e que viveu por quatro séculos como pastores e no máximo sabiam   algo sobre fabricação de tijolos!

Então, Deus também gosta e aprova a arte? Sim, a verdadeira!

Mas, infelizmente nem tudo são flores, na história das artes no relato sagrado.

Desde tempos muito antigos que a arte esteve a serviço da idolatria, através dela seres humanos têm afrontando o seu criador (At 17.29).

Os profetas, principalmente Isaías e Jeremias ao descreverem os bens elaborados ídolos feitos por artífices peritos, os classificam como uma inutilidade para o povo no que se refere à verdadeira espiritualidade, e bem ao contrário são tidos como empecilhos à fé no único Deus. O que os mensageiros de Jeová fazem é condenar efusivamente tal prática, e de forma jocosa denunciam tais obras de arte a serviço das muitas divindades pagãs e falsas (Is 40.19,20; 41.7; 44.9,11,13; Jr 10.9, etc.).

A arte, então, também esteve sempre à serviço e ou associada à abominável idolatria!

É necessário fazer um importante ressalva ao lermos sobre a orientação de Deus aos israelitas para fazerem querubins, tanto desenhados na pesada cortina ou no véu quanto também esculpidos no santo dos santos, não eram objetos de culto. Este uso de representações gráficas não fere os princípios bíblicos. Por outro lado, a veneração de imagens, usando estas representações como objetos de culto ou de honra espiritual, é desobediência aos princípios revelados pelo Senhor. Deus nunca autorizou a veneração de santos, apóstolos, anjos ou imagens representando quaisquer criaturas celestiais ou terrestres. No Novo Testamento, Paulo disse: “Portanto, meus amados, fugi da idolatria” (1Co 10.14). Era somente decoração!

Mais uma informação que alguns têm ou não se importam de lembrar é que tais artes no tabernáculo eram somente visíveis a sacerdotes e no caso dos dois querubins, somente ao sumo sacerdote. Estas reproduções ficavam na parte interna onde somente tais oficiais tinham acesso e jamais o povo.

E hoje, tal como sempre foi, a exemplo da música, uma das manifestações da arte, encontramos ao menos três tipos de manifestação artísticas as quais se dividem em:

A arte sacra;

A secular e,

A profana.

A arte sacra é aquela que é gerada dentro de uma religião e se presta para expressar sentimentos e esperanças criadas nas vidas pela fé de determinada comunidade ou segmento religioso.

Já a arte secular em sua multiforme manifestação é usada para expressar os sentimentos e percepções dos artistas e maravilham seus admiradores com as mais variadas criações e temas desde a música até as moderníssimas superproduções digitais. Elas mostram coisas do cotidiano ou não, mas com decência e respeito pelas convenções sociais de valores em geral do povo.

Mas, como todos sabemos, existe e sempre existiu a arte profana, no sentido de expor o que há de mais baixo, vil, indecente e imoral ou no mínimo deboche da dignidade humana. Aqui também se inserem as músicas com mensagens impróprias, com termos chulos, desenhos ou fotografias explorando o sensual e as modernas vídeo-produções contendo pornografia degradante, que facilmente acessados na internet, por exemplo.

Arte é como vimos, expressão externa dos sentimentos, emoções preferências pessoais do artista ou até mesmo de uma comunidade, mas nem tudo convém. Como vivemos um tempo muito mais visual que auditivo, é importante que se tenha tal conhecimento e se faça essa diferenciação. Há muita produzida pelo gênio da criação humana digna de ser admirado, mas com a mesma perspicácia se produz coisas detestáveis pelos padrões de moralidade e bom senso cristão.

Excelente princípio é ensinado por Paulo em 1Co 10.23 “Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam”.

Amém!

Pr. Clari Mattos.


Comentários no Facebook