QUAL É A MELHOR IDADE? - Pastor Clari Mattos

ESTUDOS

QUAL É A MELHOR IDADE?

Publicado: setembro, 2017

A tão falada “melhor idade” é  uma verdade, ou mais um engodo?

“Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer ” (Ec 12.1).

Às vezes me pego a pensar: “se a velhice é a melhor idade, como será a pior”?

Também me questiono, se a velhice é a melhor idade, é para quem? ou para quê?

Bem apropriado e sugestivo que tal expressão começou a ser usada por uma rede de farmácia, não acha?

Para fundamentalistas, como somos nós evangélicos, a frase “Me engana que eu gosto”, cantada em várias canções seculares, repetida por vários inconsequentes no Brasil, é uma proposição pervertida e usada como deboche ao comportamento esperado do ser humano normal e saudável mental, moral e espiritualmente.

Mas, não é que grande parte do povo, desde muito tempo, parece gostar mesmo de ser engado?

Veja esse exemplo do povo contemporâneo do profeta Isaías:

“Eles pedem aos videntes que não tenham visões e dizem aos profetas: ‘Não nos anunciem a verdade; inventem coisas que nos agradem” (Is 30.10 NTLH).

“Eles dizem aos videntes: Não tenhais visões; e aos profetas: Não profetizeis para nós o que é reto; dizei-nos coisas aprazíveis, profetizai-nos ilusões” (Almeida atualizada);

Seria exagero fanático dizer que vivemos o tempo da mentira?

Que quase todos os entretenimentos midiáticos estão baseados na mentira?

A hipocrisia, o papel, a representação nos palcos, nos estúdios, nos projac’s ou hollyood’s da vida, não são porventura, mentiras? Na telinha, na telona ou em qualquer tela, com raras exceções, as cenas giram em torno da imitação, e os crentes, outrora defensores das realidades consistentes e sólidas, já se encantam também com fábulas e ilusões! Que pena, ou como diria o mexicano: “que cosa triste”.

Uma dessas ilusões foi inventado pela atual geração, contrariando o ensino claro das Escrituras, refiro-me à proposta de que a chamada terceira idade é “a melhor idade”

Eu, porém, quero manter-me consciente da realidade, não das ilusões. Há um envelhecer natural para todos os seres vivos, nesta dimensão natural da inexorável existência, com a qual temos que conviver.

Poeticamente o sábio descreve de forma realística o processo todo do envelhecer humano em Ec 12.1-8, veja algumas coisas “espantosas” que ele nos traz à memória: “Lembre dele (de Deus), antes que chegue o tempo em que você achará que a luz do sol, da lua e das estrelas perdeu o seu brilho e que as nuvens de chuva nunca vão embora. Então os seus braços, que sempre o defenderam, começarão a tremer, e as suas pernas, que agora são fortes, ficarão fracas. Os seus dentes cairão, e sobrarão tão poucos, que você não conseguirá mastigar a sua comida. A sua vista ficará tão fraca, que você não poderá mais ver as coisas claramente. Você ficará surdo e não poderá ouvir o barulho da rua. Você quase não conseguirá ouvir o moinho moendo ou a música tocando. E levantará cedo, quando os passarinhos começam a cantar, etc., etc.”

Sou muito mais pela realidade autêntica do profeta e legislador Moisés a quem é atribuído o texto seguinte: “Só vivemos uns setenta anos, e os mais fortes chegam aos oitenta, mas esses anos só trazem canseira e aflições. A vida passa logo, e nós desaparecemos” (Sl 90.10NTLH). Esta era, nos parece, a expectativa de vida lá pelo ano 1450 a. C, no mundo bíblico.

O envelhecer natural causará várias limitações e feliz é quem está se preparando para tal etapa da existência, como também nos dá um exemplo o mesmo Moisés: “Faze com que saibamos como são poucos os dias da nossa vida para que tenhamos um coração sábio” (Sl 90.12).

Se recuarmos ao tempo de Jacó, vamos encontrá-lo fazendo uma retrospectiva em sua vida, respondendo ao faraó e dizendo resumidamente: “ […]. Os dias dos anos das minhas peregrinações são cento e trinta anos; poucos e maus[..]” (Gn 47.9).

Ele não disse, há! Faraó, minha vida tem sido uma trajetória linda, maravilhosa, cheia de flores, banhada pelo perfume dos lírios dos vales e da rosa de Sarom, etc. Era isso que alguns dos inúteis consultores orientariam ele a fazer, afinal está diante da maior autoridade do mundo e precisa aproveitar a oportunidade para testemunhar de Jeová!  No entanto, testemunhar é viver autenticamente o que se é e declarar o que efetivamente se sente, não inventar, porque aí seria falso testemunho! Tal atitude encontramos como condição para morar com Deus, no Salmo 15: “Quem, Senhor, habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo Monte? O que vive com integridade, e pratica a justiça, e, de coração, fala a verdade” (Sl 151,2).

Ah, mas se confessar minhas debilidades e fraquezas, o que vão pensar de mim?

Vão pensar que você é humano como qualquer um, não um super-homem, ou supermulher.

“Portanto, estejam preparados. Usem a verdade como cinturão. Vistam-se com a couraça da justiça” (Ef 6.14).

Só conseguem fazer isso aqueles que já foram libertos pela verdade (Jo 8.32)!

Os eufemismos (Ato de suavizar a expressão duma ideia substituindo a palavra ou expressão própria por outra mais agradável, mais polida), têm seu lugar e aplicação, certamente, mas não dá para ficar escondendo a realidade para sempre em todos os momentos, né irmãos!

Amém!

 

Pr. Clari Mattos.


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