QUERER, É PODER? - Pastor Clari Mattos

ESTUDOS

QUERER, É PODER?

Publicado: novembro, 2017

“Acho, então, esta lei em mim: que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo” (Rm 7.21).
“ Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fl 2.13).
O nosso primeiro texto acima, faz parte do depoimento de Paulo, retratando a guerra interior travada pelos filhos de Deus, que mesmo convertidos, ainda têm uma natureza carnal a combater.
O segundo texto aos filipenses o mesmo apóstolo, de forma positiva esclarece aos crentes que, uma vez submisso à vontade divina, não é mais o salvo que realiza a obra de desenvolvimento e edificação espiritual, mas Deus através dele.
Para a pergunta, “querer, é poder”?
Não há uma resposta definitiva e única, pois depende de vários fatores e condições!
Considerado, apenas no âmbito humano, não há frase mais equivocada do que essa.
O tema nos reporta às aplicações, conveniências e dimensões do livre arbítrio, que em tese, é a faculdade que o homem tem de escolher ou decidir conforme sua própria vontade, sem que haja condicionamento ou qualquer interferência externa nessa escolha.
Mas, a bênção valiosa do poder de livre escolha, nas nuances desta vida debaixo do sol, tem aplicação somente limitada, quando estamos tratando das questões ou demandas triviais da existência. A meditação sobre o tema livre arbítrio, feito com seriedade tem gerado muitas demandas e questões pertinentes as quais têm perturbado muita gente, ora por má compreensão sobre o tema ou por radicalismo inflexível também.
Mesmo quanto à aplicação prática, como ferramenta de decisão nas coisas de natureza material e temporal, temos que admitir que existe um tipo de liberdade apenas parcial de escolha, afinal de contas somos constantemente sugestionados, condicionado e até direcionados às tomadas de decisões.
Outras vezes queremos, mas não podemos!
Alguns exemplos bem práticos podem ser os seguintes:
Há funcionários que trabalham em grandes empresas, têm ideias brilhantes para colocarem em prática, mas a burocracia ou o sistema operacional padronizado os tolhem tal liberdade, logo, não são totalmente livres!
Uma outra situação bem comum, em nossa realidade de uma sociedade capitalista de consumo, é alguém que deseja adquirir um bem material durável, o qual está acima de suas possibilidades. Tal sujeito terá seu livre arbítrio respeitado ou será sufocado pelas limitações orçamentárias próprias?
Ouço alguém perguntando, como fica, então, o “tudo é possível ao que crê”, de Jesus em Marcos 9.23? O limite do alcance dessa conhecida e usada frase, pode ser entendida consultando o contexto pleno da revelação do Novo testamento, principalmente a passagem de 1João 5.14, que diz: “ E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve”. Mas, igualmente a experiência de mais de dois mil anos de vivência saudável, equilibrada e piedosa de milhões de santos e santas de Deus, tem demonstrado que, quando cremos em Deus, é Ele que entra em ação e então, sim, para Ele não há impossíveis! (Lc 1.37). Quando o Senhor disse aquela frase o fez para animar a fé de um pai que estava desesperado, não acreditando em mais nada e ninguém, portanto uma aplicação pessoal e pontual, não universal e nem serve para todas as circunstâncias, como alguns entendem.
E QUANTO À SALVAÇÃO ETEERNA DA ALMA?
Um exame atento e livre de conceitos preconcebidos das Escrituras vai nos mostrar que Deus predestinou todos os homens à salvação, lemos frases como estas: “[…] Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida” Ap 22.17; “Isso é bom, e Deus, o nosso Salvador, gosta disso. Ele quer que todos sejam salvos e venham a conhecer a verdade” 1Tm 2.3,4, e etc.
Naturalmente quando usamos o termo livre-arbítrio no meio evangélico, estamos nos referindo à liberdade que tem o ser humano de aceitar ou não a salvação eterna de sua alma, provida por Cristo Jesus nosso Senhor, ao dar sua vida por todos nós lá na cruz do calvário. A bíblia ensina que o homem tem sim, este poder de escolha. Uma das passagens que deixa essa questão mais clara é João 1. 11,12, que diz: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome”.
Quanto à salvação de sua alma, então você pode sim decidir, aliás somente você o pode fazer!
“Só querer não é poder, é preciso também comprometimento, atitude e perseverança.”
Amém!
Pr. Clari Mattos.


Comentários no Facebook