SE O POVO ORAR (2Cr 7.13,14)! - Pastor Clari Mattos

ESTUDOS

SE O POVO ORAR (2Cr 7.13,14)!

Publicado: novembro, 2017

“Se eu cerrar os céus […]; se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra”.
Este texto bíblico tem sido um dos mais citados, ultimamente, pelos crentes, especialmente o verso 14. É verdade que muitos o fazem mecanicamente, só porque é moda, mas…
É consenso que a maioria, nas igrejas somente lembra de orar, ou convocar para clamor de oração ou fazer as famosas campanhas, somente em momentos de crises, quando na verdade, devíamos “orar sem cessar” (1Ts 5.17)!
Orar pelo Brasil!
Levantar um clamor pela nação!
Fazer uma campanha de oração pela pátria, etc. são convocações que recebemos diariamente.
Obs. Não se muda uma “nação”, sem mudar o cidadão que a compõe! Quando Deus falou a Salomão as palavras acima, tratava-se de salvação nacional, ou o famoso “sararei a sua terra”, era referência a nação de Israel. Hoje, a salvação não é corporativa, nacional nem mesmo familiar, é sim, INDIVIDUAL! Cada indivíduo precisa se converter, etc. (Mc 16.15)
Então, orar pelo Brasil…
Não é sobre pedir bênçãos a corruptos!
Nem sobre abençoar a corrupção!
Também não é sobre desculpar as propinas!
Não é sobre “cristianizar” o governo!
Muito menos sobre tomar posse de Brasília!
Não, quando a bíblia nos manda orar, é interceder por vidas, pessoas em geral e falando de governo, é para orar pelos governantes! (1Tm 2.1-5), para que tenhamos uma vida quieta e sogada, mas também pela salvação de todos.
No contexto da passagem temos uma palavra direta de Deus ao Rei Salomão, em um momento de tranquilidade em todos os sentidos. Ele herdara o reino de seu pai Davi, bem estabelecido e consumado, sem muitas batalhas, com muita riqueza material e um conceito mundial muito elevado, o próprio nome dele tem a ver com esse período de paz, Salomão significa “pacífico”, ele acabara de dedicar o templo de adoração ao único Deus em Jerusalém, no lugar em que o próprio Senhor escolhera e em sua oração pública ele intercedeu pelo povo atual e pelas gerações futuras também, fazendo menção de vários potenciais problemas comuns aos seres humanos desde pecados em geral até calamidades físicas que também poderiam vir sobre a nação. Terminada a oração de dedicação do templo, fogo de Deus desceu sobre o altar e a Glória de Deus encheu toda a casa (2 Cr 7.1-3), não aconteceu uma resposta audível, oralmente para com a oração de Salomão no mento em que ele orara, mas à noite Deus apareceu a ele e lhe falou sobre três circunstâncias bem específicas.
As coisas intrigantes, ficam por conta das diretivas do Senhor introduzidas pela conjunção subordinativa condicional SE, “Se eu cerrar os céus, e não houver chuva, ou se ordenar aos gafanhotos que consumam a terra, ou se enviar a peste entre o meu povo (2 Cr.7.13)”.
A primeira era a seca, que sempre causava penúria para a nação, a segunda punição de Deus foi a praga de gafanhotos, um verdadeiro tormento para os lavradores por último, peste, ou seja, epidemia que atinge normalmente a nação inteira também. E, contudo, o Senhor mesmo indica a maneira pela qual o povo poderia evitar que tais “visitas” destruíssem as plantações, o gado e o próprio povo. Conforme o famoso versículo 14, se o povo mantivesse uma vida de comunhão pela oração, evitaria todas essas calamidades, mas como era de esperar, o povo não tinha exatamente, esse compromisso com Deus, como, aliás, em qualquer tempo, como fica evidente em vários momentos da história do povo de Deus, isto tem sido uma triste realidade.
Qual é a fórmula para resolver tais problemas? É a ORAÇÃO, mas não qualquer tipo formal, religioso ou superficial de oração, que sempre existiu em todas as religiões do mundo. A oração do Povo que “se chama pelo nome do Senhor” é diferente, pois, é dirigida ao único e todo poderoso Deus, que promete “ouvir”, ou seja, responder removendo as calamidades potenciais que se abateria sobre eles.
Encontramos também as famosas quatro condições essenciais para que nestas potenciais situações, eles fossem salvos pelo Senhor.
1. A NORMA DA ORÇÃO. Tinha que orar, com legitimidade de relação, oração devia ser feita a ELE, com verdadeira identificação de aliança, o que vemos na frase “povo que se chama pelo meu Nome”, isto equivale a nossa oração do Novo Testamento: “Em nome de Jesus” (Jo 14.13), também como já vimos, significa orar de acordo com o caráter de Deus, pois nome, na bíblia, está sempre associado ao caráter. “Pelo Meu nome”, significava não em qualquer nome de qualquer deus. Ele está falando sobre “o nome” que está acima de todos os nomes. O único nome pelo qual o homem pode ser salvo. (Fl. 2.9-11; At 4.12).
2. HUMILDADE. Tinha que ser feita com humildade, que é uma das mais importantes virtudes do filho de Deus, virtude esta, que nos faz reconhecer nossas limitações em todos os sentidos, e fazia muito sentido naquele momento da história do povo de Israel. Encontramos escrito que estavam vivendo um tempo de muita prosperidade material (2Cr 1.13-17), e grandeza refletido principalmente pela construção e inauguração do Templo e o primeiro palácio Real em Jerusalém (2 Cr 8.1-60). É pertinente lembrarmos das Palavras do Senhor Jesus em (Mt 11.28-30).
3. A BUSCA. A terceira característica da oração do povo de então, e também de hoje, era a busca, isto é diferente, em nosso entendimento, de orações genéricas, que temos ouvido e mesmo feito durante toda a história da relação do povo do Senhor com Ele. Algumas se caracterizam como petições muito formais, superficiais, sem profundidade, sem sentimento verdadeiro, sem senso real da situação ou circunstância envolvente que como é comum se dizer: “ não passam do teto”. Tenho muito claro isto ao ler passagens como a do Salmo 28.4 que diz “Uma coisa pedi ao Senhor e a BUSCAREI”, buscar envolve toda personalidade do necessitado, não somente uma leve emoção passageira. Outra passagem muito apropriada, sem dúvida é a de Jeremias 29.13, onde o profeta escreve: “e buscar-me-eis e me achareis, quando fizerdes isso de todo coração”.
4. CONVERSÃO. A quarta característica da oração do povo devia ser a conversão. No dicionário Houaiss da língua Portuguesa, conversão é transformação, alteração de sentido ou direção. Portanto, quando o Senhor requer que seu povo “se converta de seus maus caminhos”, Ele deseja mudança de rumo, transformação de palavras, atitudes, pensamentos, vontades e sentimentos. O apóstolo Paulo explica muito bem este processo na vida do homem convertido ao Senhor (Ef 4.22-32; CI 3.1-11).
Converter-se, na ótica bíblica, é, portanto, abandonar as práticas passadas, que não agradam a Deus, e viver uma vida que o agrade, pautada nos ensinos de sua Santa Palavra. É uma vida completa e radicalmente nova (2 Co 5. 17). A conversão tem algumas etapas que devemos sempre recordar quais sejam: – Confissão do erro ou desvio; – Abandono do erro ou pecado (Pv 28.13) Confiar no perdão, isso tem sido expresso de maneira equivocada ou trocada pela expressão “tomar posse”, o que, efetivamente precisa é, pela fé, aceitar que Deus perdoa aqueles que verdadeiramente cumprem com os passos anteriores (Hb 11.6) O resultado será a restauração à uma condição de paz e/ou saúde dependendo do caso.
O problema de alguns hoje, é querer queimar etapas, pois, estamos cansados de ouvir conselhos para “tomarmos posse”, “determinar”, ou então exigir restauração sem, contudo, nos fornecerem um “passo a passo”, de como chegar ao nível de restauração proposto por Deus. Assim como naquele tempo, precisamos de uma maior mobilização do povo do Senhor em voltar aos precipícios aqui esboçados.
Tanto se fala hoje de “sara nossa terra”, mas o que verdadeiramente se quer dizer com esta frase? O que vejo e talvez eu, na minha pequena compreensão do assunto esteja exagerando e se isto acontece, perdoem-me, mas, na prática, o que consigo enxergar é apresentações, shows e mais shows, mobilizações emocionais, etc. Onde está o verdadeiro quebrantamento que conduz o crente à oração com as características acima mencionadas?
Que o Espírito Santo desperte o povo para cumprir com essa importante função sacerdotal, a de interceder pelos pecadores.
Amém!

Pr. Clari Mattos


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