ESTUDOS

DÍZIMOS E OFERTAS

Publicado: abril, 2017

“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança.” (Ml 3.10)
Temos que admitir que o questionamento de muitos quanto à prática do dízimo na Igreja, representa um clamor bem popular, hoje, por conta dos grandes escândalos financeiros expostos na mídia presentes nas Igrejas Neopentecostais.
No entanto, precisamos realmente, esclarecer o assunto do dizimo de forma bíblica e equilibrada para não deixar nenhuma brecha para os inimigos do Evangelho.
Quanto à acusação de que o dizimo foi o meio que os pastores arranjaram de arrecadar dinheiro, não é nem justa nem totalmente correta, é claro. Visto que aí está-se generalizando, o que não é verdade, pois temos muitos pastores honestos, espirituais e tementes, na presidência de igrejas e ministérios.
No meu entendimento o dízimo é a forma mais justa, por representar proporcionalidade sobre os ganhos, e uma prática necessária para que os administradores tenham uma renda linear, entradas razoáveis com as quais trabalhar na administração das despesas da Igreja local neste tempo moderno e também investir em missões e assistência social, essa pelo menos, devia ser a tônica da aplicação desses sagrados recursos advindos dos fiéis.
A velha acusação de que o dízimo era um “jugo” do Antigo Testamento, também é injusta porque nem mesmo lá era considerado um jugo e se assim admitirmos estaríamos acusando ao próprio Deus de déspota por cobrar de seu povo essa contribuição, mas como sabemos Ele tem pleno direito de fazê-lo, afinal a terra toda pertence a Ele (Sl 24.1). E quando vemos o propósito para o qual os dízimos eram recebidos, ficamos mais convencidos ainda de que foi uma maneira sábia de cuidar da manutenção e dinâmica do culto e até mesmo da assistência aos pobres e despossuídos ou desamparados financeiramente, como por exemplo, os levitas em geral, sacerdotes em particular e até mesmo os órfãos e as viúvas estão arrolados entre os beneficiários (Nm 18.21,24; Dt 26.12; Ne 13.5).Na famosa passagem de Ml 3.10 se fala de “mantimento na casa do Senhor”.
Quero também dizer que a prática do dízimo não deve ser considerada no Novo Testamento, como “Mandamento”, como se fora uma norma fixa, um imperativo, uma ordem. Nesse sentido muitos críticos da prática do dízimo, têm razão, visto que ouvindo alguns pastores e obreiros em geral, sobre contribuições ficamos até envergonhados por conta dos apelos quase xiitas que se fazem.
Há diferença sim, entre o tema no Antigo e no Novo Testamento, enquanto lá era Obrigação, que não cumprida gerava até mesmo maldição, e os que não obedecessem a essa prescrição eram considerados ladrões (Ml 3.8,9), na dispensação da Graça, não é uma obrigação, e sim uma voluntariedade. “Na Dispensação da Graça, o sistema de arrecadação de dízimos e ofertas nas igrejas cristãs não é ato obrigatório. A oferta e o dízimo entre os cristãos são efetuados em arrecadações realizadas em caráter voluntário, a prática é como uma ação de amor ao próximo, também como ato de fé e atitude devocional ao Senhor. É evidente que quase nenhum pastor de Igreja divulga isso, pois seria trágico para suas receitas, o que vemos até mesmo em nossa querida e sempre equilibrada Igreja é, por um lado um esforço em provar que é uma obrigação e por outro lado uma omissão completa do assunto por parte de alguns pastores.
O Novo Testamento não afirma que o dízimo é uma prática obrigatória para a dispensação da Graça e nem que não o é. Agora, se nada proíbe ao cristão ser um dizimista, qual a autoridade dos antidizimistas, para a proibir também?
A base bíblica para o dízimo entre cristãos.
Vale lembrar que a sadia regra de interpretação bíblica manda que uma doutrina se sustente em no mínimo três textos bíblicos. Sobre o dízimo, então apresentamos Gênesis 14.20, que mostra Abraão entregando o dízimo a Melquisedeque, Gênesis 28.22, onde Jacó em fuga, promete, se tudo desse certo em sua aventura, daria o dízimo de tudo, Salmo 110.4, profetiza o Messias como sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, nas passagens de Hebreus 5, e Hebreus 7 se faz menção do cumprimento da profecia sobre Jesus como sacerdote daquela ordem. Esses textos têm sido usados como alicerces da doutrina do dízimo cristão, e todos estão apontando para um tempo fora da vigência da Lei de Moisés, então não procede a acusação de que entregar o dízimo é estar debaixo da lei!
Explicação: Melquisedeque era sacerdote de uma linhagem sacerdotal sem princípio e nem fim, chamado sacerdócio eterno. O Salmo 110.4 é citado pelo escritor de Hebreus, capítulo 7, e nesta citação ele mostra que Jesus Cristo é esse sacerdote pertencente à essa ordem sacerdotal. Se Cristo é da linhagem sacerdotal de Melquisequede, sacerdócio que recebeu dízimos, qual o motivo de Jesus, através de sua Igreja, não poder receber também? Por que Melquisedeque sim e Jesus não? Enquanto não houver resposta com base bíblica para essa pergunta, tudo o que é dito está apenas no campo das ideias humanas, não deve ser considerado Palavra de Deus.
Sei que o assunto é muito controverso e de difícil entendimento, especialmente por quem já está decido a não contribuir para a obra, é duvidoso que aqueles que são contra a prática do dízimo, sejam ofertantes assíduos com valores pelo menos próximos a dez por cento de seus ganhos. A não contribuição do povo de Deus à igreja local inviabilizaria qualquer séria administração dos bens materiais na dimensão presente do Reino de Deus, não concorda?
Pr. Clari Mattos.
Segue estudo encontrado na bíblia de estudo pentecostal, pág. 1375 para ampliar nosso entendimento do assunto.
DEFINIÇÃO DE DÍZIMOS E OFERTAS. A palavra hebraica para “dízimo”
(ma’aser) significa literalmente “a décima parte”.
Na Lei de Deus, os israelitas tinham a obrigação de entregar a décima parte das crias dos animais domésticos, dos produtos da terra e de outras rendas como reconhecimento e gratidão pelas bênçãos divinas (Lv 27.30-32; Nm 18.21,26; Dt 14.22-29; Lv 27.30). O dízimo era usado primariamente para cobrir as despesas do culto e o sustento dos sacerdotes. Deus considerava o seu povo responsável pelo manejo dos recursos que Ele lhes dera na terra prometida (Mt 25.15; Lc 19.13).
No âmago do dízimo, achava-se a ideia de que Deus é o dono de tudo (Êx 19.5; Sl 24.1; 50.10-12; Ag 2.8). Os seres humanos foram criados por Ele, e a Ele devem o fôlego de vida (Gn 1.26,27; At 17.28). Sendo assim, ninguém possui nada que não haja recebido originalmente do Senhor (Jó 1.21; Jo 3.27; 1Co 4.7). Nas leis sobre o dízimo, Deus estava simplesmente ordenando que os seus lhe devolvessem parte daquilo que Ele já lhes tinha dado.
Além dos dízimos, os israelitas eram instruídos a trazer numerosas oferendas ao Senhor, principalmente na forma de sacrifícios. Levítico descreve várias ofertas: o holocausto (Lv 1; 6.8-13), a oferta de manjares (Lv 2; 6.14-23), a oferta pacífica (Lv 3; 7.11-21), a oferta pelo pecado (Lv 4.1—5.13; 6.24-30), e a oferta pela culpa (Lv 5.14—6.7; 7.1-10).
Além das ofertas prescritas, os israelitas podiam apresentar outras ofertas voluntárias ao Senhor. Algumas destas eram repetidas em tempos determinados (Lv 22.18-23; Nm 15.3; Dt 12.6,17), ao passo que outras eram ocasionais. Quando, por exemplo, os israelitas empreenderam a construção do Tabernáculo no monte Sinai, trouxeram liberalmente suas oferendas para a fabricação da tenda e de seus móveis (Êx 35.20-29). Ficaram tão entusiasmados com o empreendimento, que Moisés teve de ordenar-lhes que cessassem as oferendas (Êx 36.3-7). Nos tempos de Joás, o sumo sacerdote Joiada fez um cofre para os israelitas lançarem as ofertas voluntárias a fim de custear os consertos do templo, e todos contribuíram com generosidade (2Rs 12.9,10). Semelhantemente, nos tempos de Ezequias, o povo contribuiu generosamente às obras da reconstrução do templo (2Cr 31.5-19).
Houve ocasiões na história do AT em que o povo de Deus reteve egoisticamente o dinheiro, não repassando os dízimos e ofertas regulares ao Senhor.
Durante a reconstrução do segundo templo, os judeus pareciam mais interessados na construção de suas propriedades, por causa dos lucros imediatos que lhes trariam, do que nos reparos da Casa de Deus que se achava em ruínas. Por causa disto, alertou-lhes Ageu, muitos deles estavam sofrendo reveses financeiros (Ag 1.3-6). Coisa semelhante acontecia nos tempos do profeta Malaquias e, mais uma vez, Deus castigou seu povo por se recusar a trazer-lhe o dízimo (Ml 3.9-12).
A ADMINISTRAÇÃO DO NOSSO DINHEIRO.
Os exemplos dos dízimos e ofertas no AT contêm princípios importantes a respeito da mordomia do dinheiro, que são válidos para os crentes do NT.
(1) Devemos lembrar-nos que tudo quanto possuímos pertence a Deus, de modo que aquilo que temos não é nosso: é algo que nos confiou aos cuidados. Não temos nenhum domínio sobre as nossas posses.
(2) Devemos decidir, pois, de todo o coração, servir a Deus, e não ao dinheiro (Mt 6.19-24; 2Co 8.5). A Bíblia deixa claro que a cobiça é uma forma de idolatria (Cl 3.5).
(3) Nossas contribuições devem ser para a promoção do reino de Deus, especialmente para a obra da igreja local e a disseminação do evangelho pelo mundo (1Co 9.4-14; Fp 4.15-18; 1Tm 5.17,18), para ajudar aos necessitados (Pv 19.17; Gl 2.10; 2Co 8.14; 9.2), para acumular tesouros no céu (Mt 6.20; Lc 6.32-35) e para aprender a temer ao Senhor (Dt 14.22,23).
(4) Nossas contribuições devem ser proporcionais à nossa renda. No AT, o dízimo era calculado em uma décima parte. Dar menos que isto era desobediência a Deus. Aliás equivalia a roubá-lo (Ml 3.8-10). Semelhantemente, o NT oriente que as nossas contribuições sejam proporcionais àquilo que Deus nos tem dado (1Co 16.2; 2Co 8.2,3,12).
(5) Nossas contribuições devem ser voluntárias e generosas, pois assim é ensinado tanto no AT (Êx 25.1,2; 2Cr 24.8-11) quanto no NT (2Co 8.1-5,11,12).
Não devemos hesitar em contribuir de modo sacrificial (2Co 8:3), pois foi com tal espírito que o Senhor Jesus se entregou por nós (2Co 8.9). Para Deus, o sacrifício envolvido é muito mais importante do que o valor monetário da dádiva (Lc 21.1-4).
(6) Nossas contribuições devem ser dadas com alegria (2Co 9.7). Tanto o exemplo dos israelitas no AT (Êx 35.21-29; 2Cr 24.10) quanto o dos cristãos macedônios do NT (2Co 8.1-5) servem-nos de modelos.
(7) Deus tem prometido recompensar-nos de conformidade com o que lhe temos dado (Dt 15.4; Ml 3.10-12; Mt 19.21; 1Tm 6.19; 2Co 9.6).
Base principal BEP, CPAD.
Na paz de Cristo,
Curitiba, 16/07/2012. Modificado em 16/08/19.


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