ESTUDOS

DOMINAI!

Publicado: setembro, 2019

“Então Deus os abençoou e disse: Sejam férteis e multipliquem-se. Encham e governem a terra. Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que rastejam pelo chão” (Ge 1.28).
Antes mesmo de criar o ser humano Deus revelou que em seu plano para o homem na terra, estava a capacidade administrativa do planeta. Encontramos esta realidade em vários textos bíblicos a começar por Gênesis 1.26, onde após dizer que o homem seria feito à imagem e semelhança do próprio Deus, se diz que teria sob seu governo todo o planeta.
Alguns teólogos chamam essa realidade de mandato cultural tem sua primeira e original versão nesta declaração interna da trindade divina. O ser, cuja criação que estava sendo planejado seria senhor sobre toda a criação de Deus, o que foi expresso em três esferas ou ambientes: “peixes do mar, aves do céu e todos os animais da terra”. Efetivamente temos aqui uma designação e autorização ampla e irrestrita quanto ao domínio do ser humano em relação aos demais seres e coisas criadas.
Acompanhando o desenvolvimento histórico do mundo, vamos constatar facilmente que foi nessa mesma ordem que as grandes conquistas e descobertas humanas vieram acontecendo. Ou seja, primeiro o homem dominou os mares, construindo embarcações que finalmente cruzaram os oceanos, depois preocupou-se em dominar os ares com a aviação chegando até a lua. E o que mais preocupa os humanos hoje, não são os temas da terra?
A relação do homem com a natureza era de domínio no sentido de administrar os recursos e não de exploração predatória, hoje chamada de uso ou desenvolvimento sustentável dos recursos naturais. O conceito de sustentabilidade indica o “relacionamento dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais, buscando suprir as necessidades do presente sem afetar as gerações futuras”. Tem que pensar no amanhã, visto que tudo aqui é finito!
Voltando ao princípio lemos em Gn 1.29 que a alimentação humana consistia de sementes e frutos naturais, eram o que chamamos hoje de vegetarianos ou veganos. Na verdade, conforme Gn 1.30, aparentemente nenhum dos animais eram carnívoros antes da entrada do pecado. Eis o que lemos: “E dou todas as plantas verdes como alimento a todos os seres vivos: aos animais selvagens, às aves do céu e aos animais que rastejam pelo chão. E assim aconteceu”.
Não há nenhuma indicação de que o homem, antes da queda, se tenha deixado escravizar por qualquer substância natural ou química, os produtos naturais não viciam!
Essa realidade infelizmente, mudou drasticamente com a entrada do pecado no mundo dos humanos. Após a queda e não muito distante dos acontecimentos do Éden, encontramos o patriarca Noé se embriagando, ou seja, viciado, vencido pelos efeitos inebriantes da bebida (Gn 9.20,21).
Bom, então o pecado realmente transtornou não somente a natureza humana como toda a criação. Deus disse a Adão depois que este pecou: “maldita é a terra por tua causa” (Gn 3.17). Quando nasceu Noé, a décima geração depois de Adão, seu pai Lameque colocou-lhe um nome cujo significado é “consolo” e proferiu uma palavra que entendemos ter sido profética, dizendo “este nos consolará dos trabalhos e fadigas, nesta terra que o Senhor amaldiçoou.” (Gn 5.28,29).
Ao menos para aquele tempo, Noé realmente foi o instrumento de Deus para trazer juízo contra o pecado e preservar a raça humana de um colapso bem cedo em sua história, como todos sabemos.
E, hoje quem está no controle do planeta no sentido de administração dos recursos naturais? Resposta, continua sendo o homem, só que agora, por conta da queda, com muito mais dificuldade.
Ao lermos em Gn 1.31 que tudo quanto Deus fez era “muito bom”, alguns podem questionar por que temos tantas coisas ruins, hoje. E para os que não creem na bíblia como a única autorizada revelação divina, se torna impossível explicar mesmo. Para o crente as coisas se encaixam bem na narrativa bíblica quando bem analisada. Começamos por aceitar que “a ordem original do meio ambiente e do ser humano na terra deve ser distinguida do que veio a tornar-se após o impacto da queda do homem, a maldição e o posterior dilúvio (Is 45.18; Rm 8.20; 2Pe 3.4-7). A desarmonia agrícola, geológica e meteorológica à qual a criação ficou sujeita não deve ser atribuída a Deus. A vontade perfeita de Deus, como Rei criador do universo, não se manifesta na presença da morte, doença, discórdia e desastres, assim como não está presente no pecado humano. O nosso mundo atual não reflete a ordem do Reino que Deus originalmente previa para o bem-estar do ser humano na face da terra, nem reflete o Reino de Deus na forma como ele será, em última análise, experimentado neste planeta (no Milênio por exemplo). Ao compreendermos isto, devemos ser cautelosos em não atribuir à “vontade de Deus” ou aos “atos de Deus” aquelas características do nosso mundo que foram o resultado do colapso da ordem original de Deus em virtude da queda do ser humano” (Gn 1.26-28; 2.16,17; 3. 16-24) J.W.H. (Bíblia de Estudo Plenitude pág. 7).
Pr. Clari Mattos


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