ESTUDOS

ESCOLHAS DE UM PAI DE FAMÍLIA

Publicado: janeiro, 2019

“Ló ergueu os olhos e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem-regada, como o jardim do Senhor, como a terra do Egito, até a região de Zoar. Isto foi antes de haver o Senhor destruído Sodoma e Gomorra. Então Ló escolheu para si toda a campina do Jordão e partiu para o Oriente. E assim separaram-se um do outro” (Gn 13.10,11).
“mas livrou o justo Ló, que ficava aflito com a conduta libertina daqueles insubordinados. Porque esse homem justo, pelo que via e ouvia ao morar entre eles, atormentava a sua alma justa, dia após dia, por causa das obras iníquas que aqueles praticavam” (2Pe 2.7-8).
Certa vez alguém disse “O homem é a soma das decisões que já tomou”.
“Dois caminhos divergiam (dividiam) numa floresta e eu, eu tomei a trilha menos viajado, E isto fez toda a diferença”.
Algumas escolhas na vida são insignificantes tal como qual meia vou usar hoje? Vou comer pão com manteiga ou com presunto? Outras escolhas são muito profundas, seríssimas e definitivas. Normalmente precisamos decidir quando surgem as bifurcações na estrada da vida.
As escolhas que um pai faz em sua jornada aqui na terra, implicará consequências, impreterivelmente. Estes resultados poderão ser bons, ruins ou péssimos!
Na história desse bem conhecido personagem bíblico chamado Ló, podemos aprender algumas lições muito preciosas para nosso tempo que profeticamente disse Jesus é muito similar à época dele: “O mesmo aconteceu nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam; mas, no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre e destruiu todos. Assim será no dia em que o Filho do Homem se manifestar” (Lc 17.28-30).
Quando se viu diante de fundamental uma escolha a fazer, a qual envolvia seu futuro e de sua família, escolheu com base numa percepção puramente materialista e interesseira (Gn 13.10), aquilo que potencialmente lhe traria muitos benefícios, mas somente materiais.
LÓ NAS ESTAÇÕES DA VIDA.
O ÓRFÃO, talvez um adolescente.
Ele nos é apresentado inicialmente, como um órfão que foi provavelmente adotado pelo tio Abrão, após a morte de seu pai em Ur dos caldeus (Gn 11.27,28). Depois o encontramos fazendo parte da caravana que sai em direção noroeste por uns 800 km até Harã, onde seu avô Tera também morreu (Gn 11.32). Acompanhou seu tio em sua viagem a Canaã, quando este obedecia a chamada de Deus (Gn 12.4,5).
O JOVEM EMPREENDEDOR
Estava na inglória jornada de Abrão lá no Egito, sem ser citado a não ser quando do retorno deles à Palestina, a terra prometida para Abrão. Quando a caravana chegou na região de Betel perceberam pela briga dos pastores dos rebanhos, que havia muita demanda e pouca oferta de pasto para o gado de ambos, agora aumentados, tanto de tio como de sobrinho. O pasto não era suficiente para o sustento dos rebanhos, forçando uma separação entre Abrão e Ló. Então, pela primeira vez vamos ver como esse jovem, vai se sair na tomada de sua decisão, agora com uma boa rodagem ao lado do mais importante e notável homem de fé em Jeová, de todos os tempos.
Agora amadurecido pelo passar inexorável do tempo, já homem feito, casado, pai de duas filhas provavelmente adolescentes na época. A que considerarmos também que possuía um razoável patrimônio material composto de gado principalmente, está prestes a tomar a decisão que alterará para sempre a sua vida e de sua família (Gn 13.8-11).
A partir daquele memorável dia em que, forçado por circunstâncias próprias do progresso e da prosperidade material, Ló teve que decidir por si mesmo, pois até aqui, ele andava à sombra de seu tio que coordenava todos os procedimentos certamente. Com Sua decisão as coisas mudaram e não foi para melhor em sua vida.
É possível ver em Ló até ali um jovem dependente protegido pela poderosa influência de seu tio. Andou sob a proteção de um gigante da fé, um profeta do Deus único e verdadeiro que o chamou e lhe fez promessas grandiosas. Foram pelo menos uns dez anos na companhia de Abrão, mas agora é hora de se aventurar sozinho.
Um olhar superficial o fez enxergar muito mais prosperidade e progressos em vários sentidos naquelas férteis campinas do Jordão. A sequência da história vai nos mostrar que na verdade ele estava comprometendo não somente a segurança física de sua vida e de sua família, como também sua condição moral e espiritual, pois o local para onde ele progressivamente está indo é identificado como um lugar de habitantes classificados como grandes pecadores ou de promiscuidade extrema (Gn 13.13). A conduta desregrada e perversa no que se refere à sensualidade não tinha paralelo.
Às vezes me pergunto se Ló sabia disso ou não, somente podemos conjecturar. Se ele possuía conhecimento prévio das condições morais e espirituais do local para onde estava levando sua família, então teremos motivos para censurá-lo fortemente. Como justificar uma decisão como essa?
Mas, bem pode ser que foi iludido, enganado ou mesmo pressionado talvez? Se assim for, então ele merece compaixão!
Confesso que vejo nesse personagem bíblico algo muito estranho. Por um lado, mostra toda sua fraqueza ao fazer a nefasta escolha, primeiro as verdes campinas do Jordão depois Sodoma como local de mordia.
E mais intrigante ainda, é o episódio do retorno do cativeiro quando foi resgatado por Abrão, seu tio onde toda a cidade incluindo ele, sua família e tudo o que tinha. Agora liberto e tendo sido restituído de tudo o que fora roubado, volta exatamente para o mesmo lugar onde morava. Aparentemente se encontrava plenamente ambientado, se acomodando àquela sociedade corrompida. O registro trágico do cativeiro se encontra em (Gn 14.1-16). Era de esperar que fizesse um esforço para mudar de lá, alguns ao retornar de uma situação tão dolorosa, colocaria a propriedade à venda e mudaria, por que não fez? Não sabemos. O fato é que no capítulo 19 do livro de Gênesis lemos sobre a trágica destruição total da cidade dele, bem como de toda a região por causa dos pecados exacerbados praticados pelos humanos moradores de lá.
Não poderia ele ter evitado todas as consequências trágicas em sua família que lemos sobre o período pós Sodoma de sua vida?
Perdeu a esposa, tornou-se viciado, foi enganado e envolvido na abominável prática do pecado do incesto, gerando duas nações (Moabe Amom), inimigas do povo de Deus descendentes de seu tio Abraão, etc.
Aprendemos que mesmo sendo parente e vivendo muito tempo na companhia de um herói da fé, como Abraão, onde se aprende coisas preciosas, temos livre arbítrio para escolher com quem casar, onde morar e etc.
Também vemos que as consequências das escolas, serão inexoráveis, salvo algumas bondosas intervenções esporádicos de Deus em forma de milagres quando alguém ora e intercede. Lembre-se que no primeiro estágio da vida de Ló em Sodoma, diz a bíblia que Deus usou Abraão pela libertação física de seu sobrinho (Gn 14). No outro estágio, quando a medida dos pecados do povo sodomita tinha atingido um nível intolerável, Deus atende a oração intercessora de Abraão para prover liberdade para seu sobrinho, mas ouve perdas… (Gn 18.23-33)!
“Contudo, Deus atendeu ao pedido de Abraão e salvou Ló, tirando-o do meio da destruição que engoliu as cidades da planície” (Gn 19.29).
Amém!
Pr. Clari Mattos.


Comentários no Facebook