ESTUDOS

ESPERAR E TRABALHAR.

Publicado: dezembro, 2018

“Jesus, porém, disse: Meu Pai sempre trabalha, e eu também” (João .17 NVT)
Desde o Éden que o ser humano vive a realidade do trabalho. Ou melhor sente a necessidade de trabalhar e não foi ninguém humano que inventou a primeira atividade laborativa, não, viu? Está escrito que mesmo antes da entrada do pecado no mundo dos humanos, já havia algum tipo de trabalho, evidente que devia ser algo muito leve e sob as melhores condições jamais imaginadas por qualquer sindicato trabalhista.
Veja como a bíblia descreve a primeira ocupação do homem no início de sua existência: “O Senhor Deus tomou o homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar” (Gn 2.15). Aqui temos os termos “cultivar e guardar”, qualquer que seja o sentido dessas palavras lá naquele tempo, elas pressupõem trabalho, certamente com grau de suavidade muitíssimo diferente daquilo que se lê no pós-queda “Com o suor do rosto você obterá alimento, até que volte à terra da qual foi formado. Pois você foi feito do pó, e ao pó voltará” (Gn 3.19). Considerando que os termos “suor do rosto”, fizeram parte do juízo ou punição divina pelo pecado, então temos que deduzir que antes, no Éden não havia “suor”, ou seja a vida do homem transcorria em plena suavidade, num ambiente totalmente climatizado e sem nenhum estresse, depressão nem ansiedade!
Suas atividades eram basicamente colher frutos, que compunham sua integral e substancial dieta sem nenhuma competição ou oposição nem ameaça de qualquer fera, pois feras não existiam, ainda!
Mas, como você sabe, essas condições acabaram com a entrada do pecado, tudo se transformou em uma realidade que nem preciso descrever para você, pois todos sabemos na confusão em que o mundo se tornou.
Salomão expressa a realidade vista por ele em seu tempo, com aplicação atemporal também: “Foi isto, porém, que descobri: Deus criou os seres humanos para serem justos, mas eles buscaram todo tipo de maldade” (Ec 7.29). A própria natureza geme, diz a Palavra, almejando ser também redimida do cativeiro da corrupção! (Rm 8.20-22).
O trabalho, por muito tempo na história das civilizações, foi apenas para subsistência, mas faz parte da natureza humana a ganância e a insaciedade, então surgiram os escravos do trabalho. Sobre isso ninguém duvida que ainda existe também!
Mas, o assunto do trabalho ou ocupação laboral, é por demais complexo em nosso mundo multifacetado, globalizado e modernamente, virtualizado.
Muitas profissões já não existem, foram extintas há não muito tempo atrás, as quis já foram assimiladas ou transformadas em outros tipos de procedimentos. Algumas funções já foram, outra estão sendo e muitas serão substituídas em alguns anos, por robôs autônomos. As consequências dessas transformações na sociedade já se refletem na falta de qualidade de vida ou nas muitas doenças físicas e emocionais em homens e mulheres que devido à ociosidade ou ao sedentarismo, são atingidas pela depressão ou ansiedade.
O que falamos até agora, foi de trabalho físico ou intelectual em benefício da manutenção da vida humano no plano natural, contudo há também o serviço espiritual que prestamos tanto a Deus em forma de adoração, como também ao próximo em termos de boas obras com base no amor fraternal.
Na parábola dos talentos proferida por Jesus em Mt 25.14-30, temos o ensino de Cristo sobre uma boa, inteligente e comprometida mordomia sobre os bens, dons ou valores recebidos do Senhor para os administramos.
Deixando a literalidade do era um talento nos tempos dos ouvintes do Senhor naquele dia e tentando aplicar o seu princípio para hoje podemos pensar no que significam talentos, hoje.
Talentos se definem normalmente como habilidades, capacidades. Dizem profissionais seculares que é um “produto da inteligência emocional e então é a aptidão que permite a alguém não somente se sobressair a outros como também conseguir com sucesso assegurado determinada questão, porque conta com as ferramentas necessárias para se destacar nela”.
Quantos e quais são os talentos que se podem identificar nos servo e servas do Senhor nesta geração, é um bom exercício de estudo. Alguns têm a habilidade natural para música, outros para pregação, ainda outros para o ensino. Há também talentos naturais em muitos que demonstram um tino administrativo dos recursos, outros têm facilidade de abordar os não crentes para evangelizá-los bem como muitos têm demonstrado desprendimentos para contribuir financeiramente para manutenção da obra. Não podemos esquecer que muitos são capacitados com o dom de aconselhamento, estou falando de algo natural, não aprendido em manuais, simplesmente!
Veja uma relação de talentos ou dons assistenciais.
“Deus, em sua graça, nos concedeu diferentes dons. Portanto, se você tiver a capacidade de profetizar, faça-o de acordo com a proporção de fé que recebeu. Se tiver o dom de servir, sirva com dedicação. Se for mestre, ensine bem. Se seu dom consistir em encorajar pessoas, encoraje-as. Se for o dom de contribuir, dê com generosidade. Se for o de exercer liderança, lidere de forma responsável. E, se for o de demonstrar misericórdia, pratique-o com alegria.” (Rm 12.6-8).
Explicando melhor o trecho temos:
Lembrando que profetizar, significa literalmente ser um porta voz de Deus e está subordinado à fé nas Escrituras;
O servir, que noutra versão aparece como “ministério”, é o serviço para o próximo em nome de Deus;
O talento ou dom de Mestre é usado para benefício dos outros, naturalmente, Deus não precisa ser ensinado!
A habilidade de “encorajar”, ou exortar, também deve ser praticado e não escondido. Há muitos e muitos neste mundo e na igreja, precisando de encorajamento!
Conquanto seja uma obrigação de todo salvo contribuir, há alguns cujas vidas Deus tem distinguido e abençoado com riquezas os quais poderão generosamente praticar com destaque esse dom.
Ser líder, ao que depreendemos desse texto não é para todos, claro, se todos forem líderes, quem será liderado? Então se você recebeu tal talento, seja responsável!
O dom de “exercer misericórdia”, é diferente da comum demonstração de misericordiosa do dia a dia. São pessoas que sente mais do que simpatia pelos que sofrem, estes demonstram empatia, realmente se envolvem com o sofrimento alheio. E o fazem com alegria, não por necessidade, constrangimento, do tipo eventual muito em voga no Natal, por exemplo. Quem tem esse dom o faz por pura alegria ou prazer de ajudar, sem qualquer outro sentimento ou interesse.
É uma atitude natural, relaxar ou mesmo ficar doente na espera, especialmente se ela se demora. Nas palavras do sábio “Esperança adiada faz adoecer o coração […]” (Pv 13.12). Mas somos ensinados a nos mantermos ocupados na mente, coração e com as mãos!
Que enquanto esperamos o Senhor voltar, sejamos produtivos, ativos e dinâmicos!
Lemos do salmista os seguintes conselhos:
“Espere no Senhor. Anime-se, e fortifique-se o seu coração; espere, pois, no Senhor”
(Sl 27.14).
Amém!
Pr. Clari Mattos.


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