ESTUDOS

NÃO É BOM ESTAR SÓ!

Publicado: fevereiro, 2020

 

O Senhor Deus disse: “Não é bom que o homem esteja sozinho. Farei alguém que o ajude e o complete” (Gn 2.18)

Originalmente temos a declaração do próprio criador revelando que não é bom que o ser humano viva só.

Bom pensarmos que o Senhor não disse que era impossível ou errado alguém estar sozinho, apenas que não era bom.

Como seres questionadores sempre nos perguntamos, por que não é bom?

Certamente, na prática da vida, há vários momentos em que preferimos ficar sós, até Jesus mesmo disse sobre a oração que o crente precisa entrar para um ambiente a sós com Deus (Mt 6.6). Nesses momentos não há presença de outros humanos, só o crente e seu Deus.

Precisamos também considerar que são em momentos de recolhimentos conscientes que os seres humanos se entregam mais dedicadamente às criações e produções mais variadas, se concentram completamente, sentem-se absorvidos pela tarefa e produzem mais e melhor em sua maioria.

Mas todas essas circunstâncias representam frações bem pequenas da vida humana, são exceções à regra. O que na verdade norteia a trajetória da vida é a comunhão com outros, nossos semelhantes e está mais que provado, somos dependentes uns dos outros.

Por outro lado, a prática também tem demonstrado que é na intimidade do ser humano que acontecem os pensamentos pecaminosos. São nesses momentos íntimos que os planos mais infames são traçados. Lemos que o ímpio “No seu leito, planeja maldades, detém-se em caminho que não é bom, e não rejeita aquilo que é mau” (Sl 36.4).

De Salomão aprendemos que “Há fraude no coração dos que planejam o mal” (Pv 12.20. Então está provado que as tentações acontecem no âmbito da individualidade e acontecem, em geral na intimidade de cada um.

Existem alguns exemplos bíblicos bem salientes como o de Acã quando viu uma valiosa capa babilônica, uns dois quilos de prata e uma barra de ouro foi tentado e caiu, escondendo o produto de sua cobiça. Se ele estivesse na companhia de seus irmãos de farda e fé certamente não cederia à tentação (Js 7.20,21).

Eva estava sozinha ao ser tentada pela serpente e também cedeu… Há ainda o caso típico do rei Davi que em certa ocasião da vida se encontrava sozinho e ocioso, foi tentado pela bela e descuidada Bate Seba e também caiu, aquele que fora identificado como “um homem segundo o coração de Deus”, caiu fragorosamente em pecado feio (1Sm 11.2). Encontramos um caso bem curioso também envolvendo o rei Ezequias sobre o qual lemos que o próprio Senhor o deixou só para prová-lo: “[…] Deus se afastou de Ezequias para testá-lo e ver o que havia, de fato, em seu coração” (2Cr 32.31). Advinha o que aconteceu? Ele também caiu no pecado de ostentação e a nação toda sofreu.

No novo testamento vamos encontrar o apóstolo Pedro que sozinho, longe de Cristo cedeu ao medo e pecou negando seu Mestre e Salvador (Mt 26.58; 69-75).

O texto diz que ele começou a seguir Jesus de longe…

Deus sabe muito bem o que faz!

Quando disse sobre Adão, “não é bom que o homem esteja só”, Deus providenciou a mulher como sua companheira instituindo o casamento como prova primeira de uma vida em comunhão a mais íntima que se pode vivenciar. Não temos dúvidas de que tudo o faziam e onde iam o faziam juntos. Antropólogos, mesmo não crendo na bíblia como Palavra de Deus, já admitiram que a raça humana foi preservada da extinção e sobreviveu, por exemplo, a todas as feras já extintas como o tigre dente de sabre, etc…, somente por ter desenvolvido a vida em grupo ou sociedade, visto que os humanos não têm nem garras nem presas para predar.

Para quem como eu, que cremos nas Escrituras, é muito mais fácil aceitar que Deus nos criou dotados de sabedoria e inteligência para criar coisas inéditas como também fazer novos usos de coisas já existentes e sempre buscar uma adaptação, unindo-nos nas crises mais ainda do que na prosperidade.

Está provado que há segurança na comunhão, desde que esta seja sincera e comprometida.

A propósito, não há contradição entre o que lemos em Gn 2. 18 e o episódio de Babel, onde lemos em Gn 11.9 que diz: “[…] o Senhor confundiu a língua de toda a terra e dali o Senhor os dispersou por toda a superfície dela”. Aqui não temos uma dispersão individualizada e sim pequenas comunidades ou unidades familiares nucleares.

O fato é que a linguagem foi diversificada em vários grupos os quais  se entendiam entre si e prosperaram na tarefa de povoar a terra pós-diluviana.

Para concluir, ao dizer não é bom que o homem “esteja” só, lembremos que há diferença entre “ser” e “estar”, esta última expressão indica períodos da vida, estágios, enquanto que “ser” fala da nossa constituição própria nossa natureza intrínseca, a essência.

Amém!

Pr. Clari Mattos.


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