ESTUDOS

“OS DOIS FILHOS” (Mateus 21.28-32).

Publicado: novembro, 2018

Esta lição trata da atitude perigosa de alguns que se comportam de maneira desrespeitosa para com as ordens de autoridades superiores, no caso seu pai, mas também alerta sobre uma falsa obediência que se configura apenas superficial e, portanto, só de aparência, uma atitude de desconsideração ou indiferença.
O ensino desta lição está fundamentado em uma história contada por Jesus, a qual é conhecida como a “parábola dos dois filhos”, a qual somente o evangelista Mateus registrou e está no capítulo 21 versos 28 a 32, já lidos.
De um modo geral, como devemos interpretar a parábola dos dois filhos?
Primeiro precisamos, como sempre, dar uma olhada no contexto da história ilustrativa. Ao lermos o capítulo 21 todo, vemos Jesus entrando em Jerusalém, sendo ovacionado pelo povo de tal forma que a “cidade toda se alvoroçou” (v 10), o vemos também entrando no templo e “purificando-o”, ao expulsar os cambistas e vendedores de animais para sacrifícios que lá estavam. Lemos também de operações maravilhosas do Senhor curando cegos e coxos(v14), estas operações milagrosas mais o constante cantar dos meninos cujo tema era; “hosana ao filho de Davi” muito indignou os principais sacerdotes e escribas. Jesus sai da cidade e repousa em Betânia e no dia seguinte volta ao templo e, é abordado pelos mesmos líderes religiosos de ontem, tiveram uma noite inteira para elaborar as perguntas com as quais tencionavam embaraçar o Mestre, apanhando-o em alguma falta.
A pergunta foi “com que autoridade azes isso?” (purificação do templo e os milagres)? Jesus então, responde com uma outra pergunta sobre o batismo de João Batista, “[…] era do céu ou dos homens?” (v 25). Como não souberam responder também Jesus não lhes responde sobre “com que autoridade fazia aquilo”, mas conta-lhes a parábola em estudo que os identifica mais uma vez, de forma ilustrativa.
Entende-se que o primeiro filho, que disse “não quero ir trabalhar” (v 29), representa os publicanos e meretrizes que se arrependeram ao ouvir a mensagem de João Batista, primeiramente.
O segundo filho o que disse “sim, senhor”, mas não foi, representa aqueles sacerdotes, escribas e por extensão toda a nação que, apesar de um assentimento mental positivo para com a religião, não obedeciam, na prática a Palavra de Deus. E prova maior estava bem diante deles, o Messias que finalmente rejeitaram e o entregaram à morte (Jo 1.11).
Temos nos dois filhos um assentimento apenas emocional, mental e verbal, tanto com o “não” do primeiro, como no “sim” do segundo filho, pois ambos não demonstraram sinceridade de imediato diante de seu pai.

Quando as Palavras não Coadunam com a Prática”. Comparando os dois filhos que disseram ao pai uma coisa e fizeram outra diferente, o que o Senhor Jesus espera de nós, como seus servos, para participarmos do Reino de Deus?
Naturalmente o Senhor quer ver em seus servos, uma atitude coerente com o que se fala, não a velha prática do farisaísmo de: “[…] dizem e não fazem” (Mt 23.3). Já o salmista identificava o verdadeiro cidadão do céu como alguém que “Aquele que vive com integridade, que pratica a justiça, e, de coração, fala a verdade” (Sl 15.2).
A genuína conversão é evidenciada numa vida transformada (2Co 5.17). O cristianismo bíblico não é simplesmente uma teoria religiosa ou filosófica pois o discípulo de Cristo tem o compromisso de uma vida honesta e íntegra com plena harmonia entre o falar e o proceder. O padrão é sim, quando deve ser sim e não quando deve ser não!
“Que a palavra dita por vocês seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibam como devem responder a cada um” (Cl 4.6).
“Acima de tudo, meus irmãos, não jurem pelo céu, nem pela terra, nem por qualquer outra coisa. Que seu “sim” seja de fato sim, e seu “não”, não, para que não pequem e sejam condenados” (Tg 5.12 NVT).
Quais as consequências de não agir com obediência?
Não obedecer a ordens legalmente instituídas, acarreta prejuízos, punições e atrasos em vários sentidos e áreas da vida do filho de Deus. Primeiramente temos que lembrar, apesar da parábola não mostrar, que um pai, ao ver suas ordens desobedecidas ficará muito triste e um filho que ama seu progenitor certamente não quer isso. O Pai celestial também (Ef .30)!
Do ensino da história, constatamos que os publicanos e meretrizes, desprezados pela classe religiosa, são elogiados pelo Senhor por terem se arrependido e aceitado a mensagem do Reino.
A mais séria consequência é ficar fora do Reino de Deus. Uma fortíssima advertência temos em 1 Pe 4.17: “Pois chegou a hora do julgamento, que deve começar pela casa de Deus. E, se o julgamento começa conosco, que destino terrível aguarda aqueles que nunca obedeceram às boas-novas de Deus!”.

“Um Chamado a Fazer a Vontade de Deus”. Como devemos proceder para sermos amigos do Senhor Jesus e, adicionalmente, não cedermos ao legalismo e à graça barata?
Antes de fazer o que agrada a alguém é preciso saber O QUE o agrada. Em relação ao evangelho de Cristo, o amigo (a) sabe qual é a vontade de Deus, para que você o possa agradar, se assim o deseja?
Muitos dos ouvintes presenciais do Senhor Jesus, eram de uma classe de religiosos que primava pela estrita obediência aos preceitos da lei, porém exageravam em detalhes insignificantes. Praticavam um zelo sem entendimento conforme Paulo mais tarde vai identificar muitos dos judeus de seu tempo: “Porque dou testemunho a favor deles de que têm zelo por Deus, porém não com entendimento” Rm 10.2). Praticavam o popular legalismo que é uma atitude extremada de buscar salvar-se por conta própria cumprindo ritos, ou mandamentos.
Mas no outro extremo pode-se ver até os dias de hoje, uma espécie de Graça barateada, realmente, onde não importa como vamos viver, no final vai dar tudo certo. Um evangelho sem cruz, sem compromisso com a verdade, sem transformação de vida onde quase tudo que há no mundo foi importado e adaptado para o meio gospel. Porém ainda valem as velhas palavras do apóstolo: “Porque tudo o que há no mundo — os desejos da carne, os desejos dos olhos e a soberba da vida — não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como os seus desejos; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1João 2.16-17).
Não se pode glorificar a Deus com os lábios e viver com o coração distante dEle (Is 29.13). Qual o caminho para se afastar da indiferença espiritual?
A saída, como em tudo que se refere à vida espiritual pode ser encontrada na bíblia sagrada que é qual lâmpada e luz para a vida e o caminho da vida do ser humano (Sl 119.105).
Começa pelo sincero e completo arrependimento que é uma mudança interior, mental sobre a vida de pecado e sem Deus e continua num processo de conversão até uma libertação completa.
Somos informados que Deus não leva em conta o tempo da ignorância, mas ao tomarmos conhecimento da verdade é preciso tomar uma decisão. Foi o que Paulo pregou a um grupo de filósofos em Atenas dizendo: “Deus não levou em conta os tempos da ignorância, mas agora ele ordena a todas as pessoas, em todos os lugares, que se arrependam” (At 17.30).
O caminho, então é arrependimento e mudança de vida!
Concluímos que para entendermos bem esta parábola, tal como as demais, que foi proferida pelo Senhor, precisamos enxergar o contexto da entrada triunfal, purificação do templo, alvoroço na cidade, indignação dos sacerdotes com as ações do Senhor e a pergunta deles “com que autoridade fazes isto”?
Amém!
Pr. Clari Mattos.


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