ESTUDOS

QUEM GOVERNA A SUA VIDA?

Publicado: outubro, 2019

“Tu me guias com o teu conselho e depois me recebes na glória” (Sl 73.24).
“Tu me guias com os teus conselhos e no fim me receberás com honras” (Sl 73.24 NTLH).
Ao falar de governo ou governar nos referimos ao ato de dirigir ou ser dirigido, de comandar um órgão público, uma instituição, uma cidade, estado, país ou a terra e mesmo o universo todo. O termo governar também traz o significado de controle, por exemplo temos leis que governam as relações comerciais. Também usamos o termo governar no sentido de dirigir um veículo ou um barco, igualmente o aplicamos na acepção de alguém exercer domínio sobre algo ou alguém, ter autoridade e controlar o comportamento e ações de outrem, etc. O substantivo governo ou o verbo governar é de entendimento e aplicação muito abrangente, como vimos.
Ao nos focarmos no governo de Deus, ou na muito usada frase “Deus governa” ou sua variante atual: “Deus no comando, sempre”, nos vemos em algumas dificuldades para entender e explicar o que efetivamente significa a frase ou qual sua abrangência.
Deus governa a terra, ou entregou o governo ao homem (Gn 1.26-28; Sl 8.3-8)?
Deus comanda todas as coisas, nos mais insignificantes detalhes da vida ou deu aos seres humanos inteligência para administrar o planeta (Sl 115.16)?
Quanto ao universo inteiro, quem o comanda? A resposta pronta a esta pergunta, de qualquer crente é – Deus!
Mas já paramos para pensar como isso acontece, seu processo é direto ou indireto?
Nos parece que por estarmos tão acostumados com os milagres diários da providência divina em manter o universo todo, onde naturalmente está incluso a Terra, que não paramos para analisar nem mesmo pensar sobre as maravilhas todas que estão em evidência constantemente diante de nossos olhos. Lemos em Hb 1.3, por exemplo, que Jesus, como Deus que é “sustenta todas as coisas pelo poder de sua Palavra”, verdade que lemos também em Cl 1.17.
Ao dizermos que Deus governa a terra, o mundo ou o universo inteiro, precisamos distinguir níveis de governo, dimensões e condições da ação divina em governar.
Nossa compreensão sobre o tema é que, sim Deus está sustentando o universo e governando também a terra no sentido físico ou geofísico, mantendo as leis físicas e químicas, etc., que Ele mesmo criou e estabeleceu para reger todo funcionamento da mecânica celeste e terrestre, etc., etc.
O desejo de Deus sempre foi o de ser o Rei, ou comandante sobre seu povo também, mas aí temos um agravante chamado livre vontade, ou seja, o homem pode se deixar governar ou tomar as rédeas da carruagem da vida e se aventurar pelos intrincados caminhos que ele mesmo elaborou.
Aprendemos com a revelação do antigo testamento que a nação judaica experimentou um sistema de governo que nenhuma outra nação jamais teve, qual seja uma Teocracia. Neste tipo de governo, o próprio Senhor comandava a nação através de seus prepostos como Moisés, Josué e Samuel, por exemplo.
Indivíduos como o piedoso Asafe que escreveu o salmo 73, se declara guiado ou governado pelo Senhor diretamente. Embora sabemos que, ao dizer isso, ele expressa poeticamente o fato de que sua vida tem sido pautada pelos ensinos da Palavra de Deus o que equivale dizer que era dirigido pelos princípios ali expressos! E há outros mais exemplos mesmo na antiga aliança., por exemplo: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, é luz para os meus caminhos” (Sl 119.105).
Alguns textos sobre governo, na bíblia:
– Deus no governo das nações é uma expressão poética do salmista (Sl 22.28; 66.7);
– Há profecias a serem cumpridas que contemplam não somente Israel, mas todas as nações e apresentam o Messias     Jesus como governante supremo, justo e eterno (Is 9.6; Dn 7.27);
– O livro de 1Samuel revela a transição do governo “direto” para o governo “indireto” de Deus sobre seu povo (1Sm 8.5,6);
– Um rei, em Israel devia governar o povo com justiça no temor de Deus (2Sm 23.3);
Para o novo testamento, na dispensação da Graça, o reino tem uma natureza diferente, estando focado no indivíduo e não na comunidade. Jesus ensinou a orar pedindo entre outras coisas “venha o teu Reino”, isto não se aplica a qualquer pedaço de terra do planeta ou lugar físico, mas ao coração de cada salvo. Em outro trecho do evangelho o Senhor explica que para este tempo, o programa do “reino” ou domínio de Deus é diferente do que muitos acreditavam e ainda creem, como sendo algo visível ou externo. O governo de Deus tem sua base no coração dos que aceitam a Cristo pela fé como Salvador e Senhor (Lc 17.20; Rm 14.17).
O salmista acima, depois de alguns tropeços e decepções experimentados em sua vida conforme lemos nos versículos anteriores do mesmo salmo, apreendeu e declarou então que, em verdade sua vida é regida ou governada pelo conselho do Senhor, o “Tu” do versículo. Na sequência do salmo ele amplia esta sua confiança segura de que é Deus o seu maior bem a quem confia seu destino final! (Sl 73.15-28)
“Dirigido por mim, guiado por Deus” é uma antiga e famosa frase de para barro de caminhões que lia nas estradas me fazia pensar, antigamente como algo muito piedoso e só, Depois, que amadureci um pouco mais, entendi que, na verdade, para muitos, não passa de uma decoração, um meio de chamar a atenção, de impressionar, um mero clichê dos muitíssimos que os seres humanos já criaram.
Ao nos voltamos para a Palavra de Deus, vamos encontrar o ensino de que Deus, realmente, deseja guiar os seus filhos, mas não o faz arbitrariamente, como se fôssemos animais irracionais. Também não o faz como se seus filhos fossem máquinas, que uma vez programadas ou ajustadas em suas rotas, irão por onde e para onde o software inserido o conduzir, são diferentes os meios de Deus!
Lemos sobre a condução cuidadosa de Deus ao povo da promessa, Israel, no processo de saída do cativeiro, daquela crise moral e espiritual, o seguinte e precioso texto:
“[..] Eu os conduzirei às correntes de água por um caminho plano, onde não tropeçarão, porque sou pai para Israel e Efraim é meu filho mais velho” (Jr 31.9 NVI);
No que se refere aos crentes da nova aliança, temos o clássico texto sobre a obra presente do Espírito Santo, em relação à igreja que nos garante:
“Mas, quando vier aquele Espírito da verdade, ele vos guiará em toda a verdade, […]” (Jo 16.13).
Contudo, não podemos esquecer que precisamos deixar isso acontecer ou seja, permitir que o Santo Espírito nos conduza. E Ele o fará pela iluminação das verdades já reveladas nas escrituras ou em casos específicos, até mesmo de modo direto, falando ao coração.
Mas, como efetivamente, isso acontece?
“A orientação para o cristão. Apesar das promessas de Deus de nos guiar, não devemos esperar que ele o faça da mesma forma como nós guiamos cavalos e mulas. Ele não usará freios nem rédeas conosco. […] É pelo nosso entendimento, esclarecido pela Bíblia, pela oração e pelo conselho de amigos que Deus vai nos levar ao conhecimento da vontade particular dele para nós”. (John Stott),
Entrega teu caminho completamente ao Senhor, confia nele, faça a tua parte submissa à sua vontade e sentirá a direção efetiva do Senhor.
E, como diz o poeta:
Solta o cabo da nau, toma os remos na mão
E navega com fé em Jesus
E então tu verás que bonança se faz
Pois com Ele seguro serás
Solta o cabo da nau e navega…
Amém.
Pr. Clari Mattos


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