ESTUDOS

UMA FÉ PACIENTE?

Publicado: fevereiro, 2018

Ou exercitando a paciência e a fé no exercício da vida espiritual.
“Desejamos que cada um de vocês continue mostrando, até o fim, o mesmo empenho para a plena certeza da esperança para que não se tornem preguiçosos, mas imitadores daqueles que, pela fé e pela paciência, herdam as promessas” (Hb 6.11,12).
Olhando para esse par de palavras, nos parecerem, em primeiro momento, uma contradição, afinal fé, como sempre enfatizamos é para realizações grandiosas.
Se você pedir para alguns crentes definirem uma pessoa de fé, eles lembrarão daquele irmão ou irmã que vive o tempo todo contando bênçãos e mais bênçãos, em geral materiais, grandes realizações as quais querem impor como norma geral.
Afinal uma vida de fé, presume-se, será uma vida do tipo “só vitória, só vitória”, outros lembrarão da relação dos heróis da fé parte A aqueles de Hb 11. 1-34, onde lemos grandiosos feitos da fé, e isso é real. Mas, muitos se esquecem da relação da parte B do capítulo, que fala dos que morreram pela fé (Hb 11. 35-40), e porque esquecemos? Pela mentalidade gerada pelas mensagens que ouvimos exaustivamente em nosso tempo, definidas como triunfais unilaterais, onde a fé tornou-se uma moeda de troca nas transações “espirituais”, com ênfase no que é efêmero e passageiro, é o evangelho pragmático.
Soa estranho associar, neste tempo, a fé à paciência, a qual tem sido uma virtude meio esquecida por conta da pressa, do estresse, do fast, do miojo, do 4g e da banda larga ultra veloz!
O conceito popular de uma vida de fé, hoje, aparece sempre relacionado a realizações grandiosas, coisas grandes, o acesso a tempos magníficos, etc. Um dos cânticos que mais fez e ainda faz sucesso no meio gospel é “rompendo em fé”, lançado por uma das comunidades cristãs lá em 2006. Esse tema inspirou e embalou todas as comunidades em todo o país, gerando versões as mais diferentes em pregações, reflexões e livros. A ideia e a moda é avançar sempre, saltar todas as muralhas, passar por cima de tudo, conquistar, em fim “romper em fé”!
Creio que todos concordam que realmente é esta a aplicação mais aceita, desejada em alguém que se diz viver pela fé. Menos que isso seria uma vida medíocre, afinal, diz-se que você nasceu para vencer sempre em tudo, pois perdedor é diabo, és cabeça e não cauda e uma série de outros clichês colados à vida cristã pós-moderna instigada pelos neopentecostais. Isto chega a ser quase uma ditadura, um patrulhamento emocional a alguns que não alcançam tal estilo de vida!
Contudo, estudando a carta aos hebreus encontramos duas virtudes conectadas entre si, bem diferente daquilo que normalmente se ensina ou prega em nossos círculos religiosos, em geral. Estou falando da compatibilidade entre FÉ e PACIÊNCIA, e agora?
Bom, se nossa fonte de informação for a bíblia, seu ensino e não as experiências pontuais de alguns, então, percebemos uma perfeita harmonização entre uma vida de fé com a virtude da paciência sendo praticada. São virtudes ou valores completa e plenamente compatíveis! Não são valores inversamente proporcionais!
As duas virtudes são itens que compõem o “kit de sobrevivência” espiritual neste mundo tenebroso e hostil! (Ef 6.12,13).
Observação,
O dicionário define Paciência assim:
* Virtude que consiste em suportar as dores, incômodos, infortúnios, etc., sem queixas e com resignação.
* Perseverança tranquila.
Enquanto a fé torna as coisas possíveis, a paciência aguarda seu cumprimento cabal!
“Esperei com paciência pelo Senhor; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro” (Sl 40.1)
Amém!
Pr. Clari Mattos.


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