ESTUDOS

UMA PEDRA QUE AJUDA?

Publicado: dezembro, 2017

“Aí Samuel pegou uma pedra, pôs entre Mispa e Sem e disse: — Até aqui o Senhor Deus nos ajudou. Por isso deu a ela o nome de Ebenézer” (1Sm 7.12).
Ao lermos esse texto somos tradicionalmente levados a pensar no resultado de uma batalha, na comemoração festiva, no estabelecimento de um marco de vitória, e esquecemos ou nem queremos saber dos lances todos que levaram finalmente a tal trinfo. Mas, vamos lá, se tiver paciência, quero lhe convidar a meditar um pouco sobre aquele momento histórico e marcante do povo do Senhor, nos idos de 1075 a. C.
Ao sentir que a ameaça filisteia havia passado, após uma portentosa intervenção divina, o profeta e juiz Samuel erigiu uma coluna, na verdade o texto diz pedra, em um ponto qualquer do terreno que abrigou o acampamento não só das tropas militares, pois o narrador nos informa que todo o povo de Israel estava lá. Havia uma lamentável condição espiritual na nação, eram dias conturbados e instáveis, pois por vinte anos o símbolo maior de sua fé monoteísta, a arca do testemunho, estava com seus mais incômodos inimigos, os filisteus (1Sm 7.2,6,7). A identificação exata do local desse monumento, esse marco nacional, lembrando a grandiosa vitória alcançada naquele memorável dia, é desconhecido.
Queremos convidar você a percorrer o caminho até a vitória dada diretamente por Deus naquela ocasião e nos estimularmos, sabendo que o Senhor deles também é o nosso e, portanto, pode igualmente nos conduzir à vitória, qualquer que seja ela.
Vamos pensar nas etapas ou condições cumpridas que os levaram ao triunfo.
PRIMEIRO PASSO – Uma exortação profética.
O então jovem e iniciante profeta corajosamente conclamou o povo a se arrepender, converterem-se e dar testemunho prático dessa mudança, deviam demonstrar externamente seu retorno a Jeová, lançando fora seus ídolos materiais que representavam suas crenças místicas (1Sm 7.3).
O SEGUNDO PASSO – Um povo que obedece à exortação e se volta para Deus (1Sm 7.4).
O ato efetivo e radical de “jogar fora” as imagens das duas principais divindades que compunham o panteão dos deuses cananeus – Baal, divindade masculina e Astarote a parte feminina desse “casal” de falsos deuses que eram considerados deuses da chuva e da fertilidade e em seus cultos se praticava uma adoração em rituais normalmente imorais, indecentes, vergonhosos pelos padrões bíblicos de todos os tempos. A referência do capítulo 7.4, além de informar de o ato do povo desfazer-se dos ídolos, também nos conta que “adoraram (serviram) só ao Senhor”. Tento imaginar como é que se constatou tal fato, acredito que deve ter demandado algum tempo até que se confirmou que o povo realmente estava convertido. Não dá para aceitar que foi apenas um ato de culto pontual, único, pois isto facilmente cairia no terreno sempre instável do emocional no estilo “fogo de palha”. Acredito que ou o profeta recebeu por revelação direta de Deus essa informação, ou então ele tomou um certo tempo observando o comportamento do povo, o fato é que o profeta convoca o povo em termos de “está bom, vamos à ação, vocês deram provas de conversão”!
Todos conhecemos a natureza humana e já tivemos muitas e muitas experiências de atos isolados de demonstrações piedosas que enganam a muitos, isto tem sido comum na ficção e na vida real. O que quero dizer é que o passo seguinte no processo para a aquela vitória do povo de Israel, foi dado algum tempo depois da atitude prática mencionada acima.
EM TERECEIRO LUGAR – Uma mobilização do povo sob a direção de Deus (1Sm 7. 5,6).
A dinâmica foi a seguinte: Tendo ouvi a exortação, se arrependido e demonstrado tal conversão no ato duplo de desprender-se do culto pagão e apegar-se exclusivamente ao Senhor, então é hora de ORAR!
O profeta que os exortara, agora se apresenta como intercessor fervoroso, como autêntico sacerdote. Numa reunião pública de todo o povo, realizam um culto ao verdadeiro Deus, onde derramam água ritualisticamente, simbolizando suas lágrimas sinceras derramadas, jejuaram e claro, confessaram publicamente seus pecados.
Aqui vale pequeno lembrete sobre o sistema religioso do Antigo Testamento, o qual era sacerdotal, ou seja, somente o sacerdote orava intercedendo como mediador, que no caso deles e para sua alegria, era o querido e respeitado Samuel. Observe, o povo congregou, ofereceu sacrifício simbólico, jejuou, confessou assumindo suas responsabilidades, mas quem orou foi o sacerdote, intercedendo por eles (1Sm 7.8).
Um pequeno detalhe nos é dado em 1Sm 7.6, parte final: “E Samuel julgou os filhos de Israel em Mispa”. Ou esta expressão foi inserida ali pelo narrador, como um lembrete da posição do profeta, enfatizando que foi a partir dali que começou efetivamente seu juizado ou governo, ou então significa que o povo permaneceu naquele local um razoável tempo, suficiente para que o povo todo trouxesse-lhe suas questões as quais ele ouviu, julgou e deliberou caso a caso. Não sabemos exatamente, como aconteceu, porém, faz sentido acreditar que o povo realmente permaneceu lá um período tal que deu para os inimigos tomassem ciência de tal mobilização e preparassem para os atacar (1Sm 7.7). Naturalmente, a convocação dos cinco famosos príncipes filisteus que governavam as capitais Asdode, ascolon, Ecron, Gaza e Gate, para se reunirem, certamente demandou pelo menos semanas.
Quando ouviram que os belicosos filisteus vinham contra eles, tomados de medo, os israelitas pediram a Samuel, que orasse em seu favor (1Sm 7.8). A resposta divina foi imediata e oportuna, lemos que Deus “trovejou contra os filisteus e os aterrou (aterrorizou), enquanto o sacerdote oferecia um holocausto e intercedia pelo povo (1Sm 7.10).
O exército de Israel que até então estava com medo paralisante, agora cobra ânimo e persegue os antes arrogantes, mas, agora apavorados e confusos filisteus! Com aquela intervenção divina em favor de seu povo, Deus inverteu completamente o quadro, fazendo com que um povo acuado e com medo saísse corajosamente contra seus inimigos e os derrotasse por completo (1Sm 7.11,13). Aqui é útil lembrar e aplicar o princípio que é universal e válido par ao crente de qualquer tempo, ensinado em Tg 4.7; “ Sujeitai-vos a Deus, resisti ao diabo (inimigo) e ele fugirá”.
AGORA, SIM É HORA DE REGISTRAR A VITÓRIA! (1Sm 7.12).
Finalmente, após dias e dias de incertezas, medos arrependimentos e choro, sacrifício, adoração e mãos na espada para perseguir e lutar contra os inimigos é hora de ouvir o líder espiritual da nação celebrar e estabelecer um marco de registro daquela vitória. Fixaram uma pedra qualquer do deserto, não foi uma estátua de Samuel ou um busto de algum ícone de destaque na batalha, uma simples pedra mesmo!
Permito-me conjecturar sobre porque escolheram o nome EBENÉZER, será que toram um tempo pensando qual seria o título a ser dado ao monumento? De qualquer forma, não poderiam ter escolhido nome mais adequado, pois do entendimento do significado gramatical etimológico de “Ebenézer” é “pedra de (da) ajuda”!
O que passava pela mente de Samuel ao escolher tal nome, na verdade não é muito difícil de imaginar, visto que pedra ou rocha é um dos mais conhecidos símbolos analógicos para Deus na bíblia em geral. Na poesia hebraica, pedra fala de imutabilidade, fortaleza, eternidade, etc. de Jeová (1Sm 22.2,47; Sl 18.2; 19.14, etc.).
Paulo em seu tempo faz menção de uma pedra que acompanhava o povo de Deus em sua peregrinação pelo deserto (1Co 10.4). Temos razões para crermos que ainda temos esta bendita pedra de ajuda como marco de vitórias espirituais em todos os sentidos, pois segundo o apóstolo “ a pedra era Cristo”, como Ele está vivo e vivo para sempre (Ap 1.18), sabemos que sempre nos socorrerá se demos os mesmos passos aludidos nesta meditação.

Amém!

Pr. Clari Mattos.


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